quinta-feira, julho 31

A todos os leitores subservientes do Mui nobre bardo Fernando Pessoa, vetusta composição de intelectuais de alto nível, cúpulas de sapiência: Façam favor de ler O Interregno - Em defesa da Ditadura Militar em Portugal. Esse extraordinário exemplo de propaganda fascista escrito em 1928 por aquele vagabundo.

P.S.: Não quero saber da porra das paródias que escreveu sobre Salazar durante a década de trinta...
Hoje, às 21.30 na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, a Sociedade Portuguesa de Matemática organiza um debate onde irão estar presentes o físico Alan Sokal, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos(BSS), além de outros cientistas.
Prevê-se que o debate orbite em torno da eterna discussão entre as ciências físico-naturais e as sociais. Li alguns posts por aí (aqui e aqui) sobre esta questão onde é latente algum desconforto relativamente às posições expressas por BSS no seu "Um discurso sobre as ciências" e à perseguição(?) feita a Sokal e a outros cientistas com posições semelhantes. O que me admira bastante é o facto de redigirem os seus argumentos com base num livro de meados da década de oitenta do século passado. Entretanto, BSS evoluiu e corrigiu bastante o seu pensamento nesta matéria - embora fale em erros de interpretação. Não simpatizo particularmente com as suas posições, mas as questões levantadas em "Um discurso sobre as ciências" foram já, em grande parte, superadas. Mais, em todas as discussões que tenho presenciado/participado notei sempre maior inflexibilidade por parte dos originários das áreas das ciências físico-naturais (de onde também provenho) do que dos das áreas das ciências sociais. Se Sokal argumentar com base naquele livro, terá alguns momentos constrangedores. De qualquer modo, o mais provável será cada um deles deixar o debate precisamente como o principiou...
Por tudo isto e mais, será, com certeza, um debate a não perder.
Com as devidas excepções, as pessoas são egoístas, invejosas, medíocres, pouco solidárias, mesquinhas, abutres, arrogantes... ou isso ou são de Esquerda.
Hoje, em dois jornais diários, dei-me conta de ter lido a expressão Kafkiano pelo menos três vezes. Generalizou-se, não sei bem em que altura, o uso deste termo. Hoje em dia é Kafkiano para tudo quanto é sítio. Diga-se, em abono da Verdade, ou quase, que os tempos são propícios.
Justa homenagem ao senhor? não sei. Contextualizado? talvez. Kitsch? a rodos. De qualquer modo, faz-me uma certa comichão a redução do Autor à  exclusividade de um universo por ele descrito.
E pensar que Kafka não tinha qualquer tipo de intenção de ver publicados os seus escritos, ao ponto de ter confiado a destruição de todos os seus documentos a um amigo, a encetar após a sua morte...
E a que outro autor seria chamada a responsabilidade de dar o seu nome para representar aquela Ideia? Imagino Gógoliano espalhado por aí...(talvez noutra dimensão...)
A SIC divulgou o conteúdo de uma conversa telefónica entre António Costa e Ferro Rodrigues e que, aparentemente, foi determinante para a manutenção de Paulo Pedroso em prisão preventiva. A conversa está disponível aqui. Após ávida leitura da transcrição do diálogo, não posso senão concordar em pleno com a decisão do Juíz Rui Teixeira. É absolutamente atentatório para um representante de tão grande massa de cidadãos! É... escandaloso! Ferro Rodrigues falou ao telemóvel enquanto conduzia! E, não obstante isso, estava mau tempo. É este o exemplo que queremos seguir? Colocou em risco a sua vida e a de outros automobilistas.
Vale a pena pensar nisto...

quarta-feira, julho 30

Existe um défice de militância nas camadas jovens?
Existe.
Refiro-me à militância como espaço comum de discussão, criação de projectos e respectiva execução, em torno de uma ideia ou conjunto de ideias/ideais, independentemente de ser, ou não, no seio de um partido.
Encontro motivos na crescente velocidade que o ritmo da competitividade impõe nas sociedades deste novo milénio, limitando o exercício da cidadania a a consciência crítica nos jovens principalmente. O sentimento de insegurança ao nível individual é, mais que nunca, dominante, com a consequente alienação no statu quo de um futuro lugar no mercado de trabalho. Para além disso, o desalento relativamente à vida política, que é também devido ao papel dos media, reféns de imposições empresariais, sofrendo agora do síndrome de Estocolmo, acarreta consequências ao nível do associativismo supra-partidário.
Por outro lado, o sentimento de insegurança realça ainda mais a procura de um terceiro sujeito, para além do outro igual, um terceiro que se encontra sempre presente, não obstante a sua natureza. Mas resume-se agora a uma presença cómoda, protectora, um ideal como instituição per si, fora da esfera do controlo individual, o que explica o crescendo da fé cega nos conceitos tradicionalistas, como Deus ou a Nação...
acho que vou deixar a droga! [cannabinoides, bem entendido] na noite da passada segunda-feira tive um percurso aflitivo desde a Prá até minha casa! cada carro que passava na estrada eu pensava que me ia atropelar! cada pessoa que via eu pensava que me ia perseguir e dar um arraial de porrada! suores frios a rodos!!! maldita viagem até casa! nunca + acabava! nunca fiz aquele percurso tão vagarosamente, pareceu-me uma volta ao mundo, nunca mais chegava a casa! e sempre, sempre a ser perseguido. logo eu que nem faço mal a ninguém (senão a mim mesmo [seria eu próprio que me perseguia (de carro e a pé)?]).
ainda para + nesse dia a Bárbara ligou-me e como estava a voltar á Prá convidei-a a aparecer por lá, para conversar com a malta. mas quando ela chegou eu estava num estado de mutismo terrível (já tinhamos fumado bué)!!... acho que tenho (mesmo) de deixar a droga! 'tadinha da Babá (que vai para o Leste em Inter Rail dentro de poucos dias) que queria conversar com a malta mas estavamos tod@s algo janados.
acho MESMO que vou deixar a droga!
Estes colocam dúvidas em tudo o que escrevem, pensam, lêem. Sempre a porta aberta para mais qualquer coisa. Não se encontrassem na categoria de pessoas da ciência... De Omnibus Dubitandum camaradas! Bem haja.

terça-feira, julho 29

sinto-me perseguido, acossado mesmo!! já á uma semana que não almoçava nas nossas maravilhosas cantinas universitárias [reflectindo-se isso no meu estado físico e psíquico, naturalmente menos depauperados do que é normal (ou talvez não, não esqueço a açorda que o Baía fez)] e não é que agora (em dois dias seguidos!) encontro-me lá duas vezes com o matos (sim!, sim!, ricardo matos, o mítico dirigente académico [e também da sofia, convém não esquecermos]). hoje encontrei-me com ele na fila dos grelhados... e tivemos que nos cumprimentar, como pessoas bem educadas que pensamos ser (eu penso que sou Bem Educado, ele pensa que é Particularmente Cordato, ambos não pensamos muito bem um do outro mas em público tentamos viver civilizadamente [embora eu sempre suspeite que ele ande com uma picareta algures escondida])... senti-me mal! ainda me sinto bastante mal!! acho que nos sentimos ambos mal!
para me sentir melhorzito poderia ser que a malta cá do duplex malhasse umas "bejecas" logo á noite no Tropi [digam-me qq coisa por SMS!]. porque.. sinto-me perseguido, acossado mesmo!! [e hoje está cá um calor do caraças!!]
O único que leio com a deliciosa curiosidade de um miúdo de cinco anos...

segunda-feira, julho 28

Para além de todos os pequenos truques utilizados para aumentar o número de visitas em qualquer blog - contando-se entre eles referências a outros blogs, normalmente bastante visitados, com a certeza de referências, quer automáticas, quer por cortesia do autor, o uso de nomes apelativos (clubes desportivos é garantido), ou impropérios diários, etc -, existem dois tipos de visitantes: os que passam por referência, e normalmente não retornam, sendo o tão aclamado número de visitas artificial, e aqueles que gostam realmente do que lêem, voltando amiúde em acessos directos ao blog, com as devidas excepções. Daí a grande utilidade dos contadores de visitas, pois discriminam as referências dos acessos a um local, sabendo-se assim, e não passa de uma opinião pessoal, se existem, ou não, qualidades (no plural. A bipolaridade com qualidade/sem qualidade é ridícula) suficientes na escrita do(s) autor(es) através daqueles que acedem directamente. Isto, claro, para quem se importa com eventuais leitores.
De qualquer modo, a inércia fará definhar todos os blogs sem as qualidades suficientes...
parece que já temos mais alguém cá pelo duplex. apresente-se menina, apresente-se!! ou talvez seja melhor falar no plural: apresentem-se meninas, apresentem-se!!! não será assim [mudas e quietas no vosso canto] que conseguirão qualquer tipo de emancipação. apresentem-se!!....
Os blogs são, para uns, memórias de tinta encarceradas em pequenas celas de papel que espalham pela cidade, escondendo-se pacientemente, observando quem olha, se alguém olha...
; para outros, passos sistematizados, cadenciados, rigorosos, marchando, racionalizando acontecimentos incompreensíveis, quebrando-os em abstracções, manipuláveis, cómodas, controláveis
; para alguns, a pequena roca que desperta atenção do petiz para pouco depois tornar-se desprovida de interesse
; a ferramenta dos doutrinadores implacáveis, estalinistas no método, sonhadores disciplinados, líderes ambiciosos...
; ...

quarta-feira, julho 23

No jornal Público de hoje, José Neves, membro da ATTAC, assina um artigo em que faz um pequeno jogo entre as palavras praia e pátria. Isto para defender uma Europa supra-nacional, com uma identidade acente no indivíduo em detrimento de uma consciência colectiva nacionalista, patriota. Esgrime alguns argumentos contra as estruturas partidárias e a noção que o Poder se esgota no Estado-Nação, defendendo implicitamente os movimentos sociais e o seu papel incontornável nas sociedades de futuro - na boa tradição Boaventurista (desculpa Tiago).
Não discordo por completo do conteúdo do artigo, principalmente porque é escrito de uma forma clara, transmitindo muito bem o que pretende. Mas uma questão, que considero pertinente, é necessário colocar: porque é o autor ainda membro da ATTAC? Esta organização, orbitando em redor da defesa da aplicação da taxa Tobin, senta-se comodamente na areia de uma praia institucionalizada, cuja relevância em termos de Poder é enorme, e que desfaz quaisquer ambições do indivíduo controlar o seu próprio destino, sendo o neoliberalismo global, na figura de, no caso, mercado bolsista. Revela-se um discurso um pouco ingénuo o de José Neves enquanto não compreender que aceita as regras de um jogo, em que, enquanto jogador, é impossível sair vitorioso.

segunda-feira, julho 21

Boas tardes!O atraso, sei-o, foi grande, imperdoável. E não é por acaso que hoje, esta agradável segunda feira, a segunda feira de mais uma banalíssima semana, seja a escolhida como dia inaugural da minha participação no blog. Por acaso disse uma enormérrima parvoice. Poderia ter vindo cá amanhã, ( terça), que até tenho um exame de mecânica quântica - onde resolverei felicíssimo da vida uma, duas, três se até for preciso, equações de schrödinger, de modo a saber se as ondinhas reflectem ou atravessam quando "encornam" uma barreira de potêncial, ou mesmo se passarem por cima de um poço infinito...quiça. E no fim do exame, descansado, relaxado - é tão certa a negativa que até me doi o pulmão determinista - enfim, de férias, poderia calmamente escrever. Que dizer?Foi um ar que se me deu.
É que com esta idiotice modernista, já nem tempo tenho para ler um artigo do Luís Delgado, que,..porra, é o mínimo de prazer que nos podem garantir! E depois aquela coisa bate e atravessa o piquinho de potencial e ao mesmo tempo volta para trás, reflectido e transmitindo simultaneamente, ( ou ambas com probabilidade não nula). Que tristeza.. não consegue estar quieta...o quê....? as marias passaram a república....?o tempo não espera por nós... olha, a casta! que começo prometedor! Pena já ter jantado. exacto... apresento-me... João Pena dos Reis, mais um na cesta da fruta.
Estou quase a bazar para o Talasnal (passando uns dias fora do duplex, mas com alguma da malta cá do duplex). Só me falta ir a minha casa fazer a minha mochila, ir á Prá lavar a loiça do jantar de ontem e... Bem... afinal ainda não estou quase a bazar para o Talasnal... :(

domingo, julho 20

Dizem que viajar de comboio modifica as pessoas. Não sei se a sua disposição, carácter ou constituição química. Não sei se a duração ou número das viagens é preponderante e que especificidades poderá ter em cada caso. E o tipo de comboio - alfa pendular, inter-regional, intercidades, regional. Será a viagem em si o elemento modificador, como instituição para-humana distinta de quaisquer outros elementos? Um conceito metafísico ou metáfora? Por outro lado, haverá relação com as experiências daí decorrentes - da viagem - do género inter-rail ou está associado a diversas e variadas paisagens extra(ou intra)-fronteiras?
Não sei quem diz que viajar de comboio modifica as pessoas. Se calhar ninguém.
Sábado á noite... duas da manhã... Após ter devorado várias horas seguidas de televisão, com varias coisas interessantes pelo meio como um programa de modelismo de comboios no canal de história, a britcom na tv2, o sexo gratuito após aconselhamento metodológico no canal 18, vulgo vivir/viver, o assassinato brutal de um insecto à força do meu chinelo entre outras coisas conduziu-me inexoravelmente para o computador... Ver mails, posts nos blogs em que participo, mails (ups, isto já disse), notícias, o cabrão inglês que justificou a guerra com o iraque suicidou-se, aparentemente note-se (confesso que esta notícia carecia de ser dada com mais sarcasmo ou ironia, infelizmente para vocês faltam-me ambas, mas isso, como diria um dos meus mestres, é uma coisa que nós vamos ver... mais adiante, sim porque eu quando estou a escrever uma coisa já sei o que vou escrever a seguir), bom para o resto do mundo, menos um cabrão no mundo, se calhar mataram-no... Isso é que era... Adiante, o durão-cabrão-puta-do-patrão disse hoje que não quer legalizar os cabo-verdianos residentes em portugal ao contrário do que fez com os brasileiros. Note-se que o homem teve tomates para dizer isto em pleno Cabo Verde. É bom, é bom, podemos ter um primeiro-ministro burro, mas pelo menos temos um primeiro ministro com tomates. Uma pergunta, será que bebe santal rad? Estou a ouvir a banda sonora do filme "O BROTHER, WHERE ART THOU?", escuto a faixa "i am a man of constant sorrow", identifico-me com o personagem... Porra, estou depressivo, olha que gaita, hã? Não me apetecia ouvir mais nada. Estava à procura do tal Emil Cioran que o Alberto citou como o "filósofo da consciência da existência", não consta do dicionário nem da enciclopédia de filosofia. Paciência. Alberto, eu perdoo-te o erro. Passo a explicar, o homem ou é filósofo da consciência ou é filósofo da existência. Será existencialista? Provavelmente... Lá fora a noite está calma, não se houve nada, apenas um leve cantar de um qualquer insecto rasteiro... a lua está partida ao meio, chora pela ausência da outra metade que o sol insiste em ocultar... começam os meus devaneios poéticos... Não tinha mails de jeito... mudança de música, pj harvey, boa senhora, vou ouvir o álbum todo... "stories from the city, stories from the sea", dois mails da mailing list mão morta, dois do público e um da plataforma contra a guerra, do paulo coelho, como eu disse, nada de jeito... "threw my bad fortune/of the top of/a tall building/i'd rather done it with you"... "and i feel like some bird of paradise/my bad fortune slipping away/and i feel the innocence of a child/everybody's got something good to say"... do they? Hum... Começo a achar que estou a escrever demais... Fui à tarde buscar os jornais de há semana e meia. Há uma coisa boa em ler notí­cias atrasadas, já não nos surpreendem, mesmo quando o jornal parece novo ao toque dos dedos... uma coisa positiva no público, o josé manuel fernandes não escreve nada há já um tempo considerável... algo de bom, para variar, mas por outro lado mau, a par do bartoon e do calvin a coluna dele era a única coisa que me fazia rir naquele jornal... há que admitir que o homem tem piada, mesmo quando não quer...recomendo o livro dele, está bem melhor que aquela porra d'o homem que mordeu o cão, eu dizia-vos o tí­tulo, mas esqueci-me. Contém todas as crónicas desde o 11 de setembro de 2001 até pouco depois do fim da guerra do iraque. É um garante de muitas e muitas horas de divertimento... Cansei-me de P.J., estou a ouvir "magnolia" by Aimee Man agora. Onda depressivo-melancólica… Procuro ajuda externa de um país estrangeiro(pleunasmo, eheheh). Cabo Verde era uma coisa interessante. Tenho de trabalhar nesse sentido, enquanto ainda posso. Recuso, enquanto país soberano, qualquer ajuda internacional do FMI, do Banco Mundial e outros afins neo-libero-capitalo-fascisto-pseudo-democratico-livres, acho que fui claro. Pelo menos por agora. Já são quase três da manhã, ainda não escrevi nada de jeito, paciência, fica para outra altura. Nova mudança de música, desta vez não vou dizer qual. Lá fora tudo na mesma, não se ouve nada... estranho... adivinha-se uma manhã de nevoeiro... a música que ouço traz memórias de amores antigos, bons tempos, já idos, o amor morreu, tal como tudo morre sempre quando se acaba a vontade, fica a memória, já sem a vontade de recuperar sensações de sentimentos vividos. Perdoem-me o exagero, escrevi demais e demasiado pessoal, é sempre assim quando não temos nada para dizer... ou não temos forma de traduzir em palavras o que queremos dizer. "Sur ce sentiment dont l'ennui, la douceur m'obsédent, j'hésite à opposer le nom, le beau nom grave de tristesse. C'est un sentiment si complet, si egoïste que j'en ai presque honte alors que la tristesse m'a toujours paru honorable. Je ne connaissais pas, elle, mais l'ennui, le regret, plus rarement le remords. Aujourd'hui, quelque chose se replie sur moi comme une soie, énervante e douce, et me sépare des autres." Françoise Sagan, "Bonjour Tristesse". E assim termino. Boas noites!
Entediam-me profundamente os poetas que, na sua irremediável imbecilidade, libertam toneladas de feromonas ao discorrer sobre o céu e o infinito, infindas possibilidades nas estrelas e no raio que os parta. Ora eu, tão pouco de lírico quanto de místico, quando, por acaso, olho para cima no encaminhamento do pensar, vejo simplesmente a minha banalíssima e terminal nulidade. Nada mais.

sábado, julho 19

Vim passar o fim de semana a casa dos meus pais. Vilazita com acesso a 56kbps - estranho método de diferenciar localidades. Está em festa -a vila digo-, lugar comum durante o Verão.
Adoro estas festas de aldeia. A luz imensa das intermináveis filas de lâmpadas que pairam sobre tudo, formando um tecto; os automóveis estacionados em parques improvisados, sob oliveiras e pinheiros, em completo desalinho, numa cómoda e estranhamente pacífica desordem; os mesmos de sempre apoiados no balcão observando os que passam, sorvendo minis como se nunca mais o pudessem fazer; as pessoas que jamais se cansam, cabelo ainda molhado, sem óleo ou terra debaixo das unhas ou suor ou preocupações com o patrão o empregado o irmão a irmã o dinheiro o...; os casais no bailarico frente ao palco, os mesmos passos para todas as músicas, rodeados de outros com braços cruzados, felizes por olhar, ou comentar quem está com quem, o que tem vestido, o que fez no outro dia ao vizinho do patrão; as bandas, iguais, todos os anos, cinquenta contos e o jantar, automatizadas as músicas, tocar e dormir, amanhã a 12 km; e os odores, as farturas, as pipocas, o frango, a sardinha, o leve sufoco do pó numa mescla ligeiramente acre e inconfundível.
E as pessoas a perguntar que é isso que fumas que tem um cheiro esquisito...
A consciência é muito mais que o espinho, é a adaga na carne.

Emil Cioran


Sem dúvida um dos melhores escritores do último século. O filósofo da consciência da existência. Um bocadinho violento talvez.

P.S: a tradução é minha, penso que é isto que queria dizer.
Estou preocupadíssimo com os meus camaradas de Blog. Temo pela sua saúde. A República dos Kágados está em festa. E eles gostam bastante de regar as suas festas. Com vinho. Muito. Amanhã, por esta altura, deambularei pelas ruas, reclame insistente: Olhem, foi um ar que se lhes deu...

sexta-feira, julho 18

A todos os interessados: num post anterior o nélson refere-se às marias. São o antigo Solar das Marias do Loureiro. Agora República das Marias do Loureiro. Uma das 27 casas comunitárias de Coimbra. Para elas os nossos sinceros parabéns. Será uma boa ideia desenvolver um pouco o tema das repúblicas num outro post...
Parece-me que mais alguém anda no nosso duplex... mas apenas algo furtivamente. Apenas lhe senti os acessos de mau humor repentinos mas nem sempre meramente ocasionais. Apresente-se... por favor!!
O porquê de eu andar desaparecido do nosso duplex.
As Marias subiram (muito merecidamente!) a República na madrugada de quinta e ontem á noite deram uma festinha para comemorarem o seu feito. Eu, obviamente, não me podia baldar a isso. Hoje é a vez dos Kágados, dizem el@s que a festa não tem motivos óbvios, apenas o fim dos exames. Acho que isso é mais do que suficiente para comemorar. E de forma rija!!
Quem aqui do duplex queira lá aparecer que não se acanhe, el@s até já nem são tão "estalecas" como eram dantes! :))
Agora tenho que ir jantar... a fomeca já aperta!
Uma qualquer emissora de rádio passou, há pouco, o Seven seconds
de Youssou Ndour/Neneh Cherry. Independentemente da qualidade da
música, com a qual não simpatizo particularmente, os primeiros segundos
de som (e foram menos de sete) transportaram a memória para uma
realidade espacio-temporal bem localizada, dentro do espectro das
minhas vivências. Um Verão passado numa praia, há cerca de oito ou nove
anos. Indignou-me a associação automática entre dois elementos
aparentemente díspares, e tentei lembrar-me exactamente que
acontecimento ficou intemporalmente ligado a esta música. A realidade,
Hélas, fica bastante aquém das projecções fantasistas que
sonhamos. O Verão que mencionei atrás foi a altura em que esta música
foi colocada no mercado, e em todas as emissoras de rádio, todos os
dias, pelo menos uma vez por hora, era colocada no ar. Incessantemente.
Pestilenta obsessão, trauma recalcado, é essa a minha relação com
aquele binómio Verão/música.
Tardiamente me apresento (em boa medida [que não 86-60-86] por razões que não são da minha (ir)responsabilidade). Nelson Fraga. Mais um "melãoantes" deste prasenteiro espaço.
Neste momento encontro-me boquiaberto... Após ter visionado, pena não ter provado, os dois magníficos exemplos de francesinhas encontrados pelo Alberto e apresentados como possível solução para encontrar o resto da malta aqui da loja, eu estou simplesmente areado... Meu caro Alberto, são ambos dois excelentes espécimes de francesinhas, mas deixa-me fazer uma correcção, o primeiro é uma verdadeira francesona... Bom, eu acho era que, pessoalmente, preferia as duas... E note-se, ambas se comem... Haverá estômago que aguente tanta comida? Não me importava, de todo, de experimentar tal tarefa... Decerto que se revelaria hercúlea, mas eu tentaria, ó máximo possível, leva-la a cabo com o maior dos afincos. Deixo uma pergunta, haverá mesmo necessidade de fazer uma escolha? A minha dúvida é compreensível, creio, pois é difícil resistir a qualquer uma destas duas francesinhas... Acho que estou com fome... Vou comer...
O João, num post'abaixo, aconselha-me a usar como isco para encontrar a malta cá de casa uma francesinha.
Mas tenho uma dúvida. Esta ou esta?
Raios. Perdi um por pouco. Vislumbrei o seu sapato escapulindo-se para a cozinha e o sofá está roido.
Mas oh! deixou um post-it. JMA.
«Talvez uma francezinha... pelo menos comigo costuma resultar». hmmm... onde vou eu arranjar uma francesa!? - penso, de sobrolho franzido, dedo indicador da mão direita encostado à têmpora e apoiado com o cotovelo na mesa.
Eis que. rastejando de debaixo do sofá, refaço a minha aparição... Mas não, meu caro alberto, não venho à procura das migalhas da tua refeição... se bem que pizza por acaso marchava... pois acabei de comer uma bela ceia e encontro-me bastante satisfeito. Não quero contudo desfazer a tua nobre e gentil oferta, creio que se tratava de uma oferta... Interrogo-me também pelo resto da ninhada, mas desconheço por inteiro o seu paradeiro. Calculo que andarão, porventura, perdidos à procura do caminho do saber. Mas, para nosso infortúnio, não lhes posso dar a luz... Pressinto a necessidade de estimular o resto das mentes frequentadoras aqui do duplex, como lhe chamas. Experimenta com algo melhor que pizza. Talvez uma francezinha... pelo menos comigo costuma resultar. Boa sorte para a tua espera... mas tem cuidado com os primeiros contactos, se a coisa dá para o torto arriscas-te a perder a confiança dos roedores que persegues...

quinta-feira, julho 17

Insisto.
A malta aqui de casa não sei onde está. Já corri o duplex de lés a lés e nem viv'alma. Vi fugazmente o JMA há alguns dias. Meteu o nariz de fora, fungou, e voltou repentinamente para baixo do sofá. Penso que o resto também cá está, pois deixo pequenos pedaços de comida pelos cantos e, enquanto me encontro fora, desaparecem. A pouco e pouco estou a ganhar a sua confiança. Em breve farei uma espera para tentar um primeiro contacto. Desejem-me sorte.
Este blog tem uma primeira mudança bastante longa. Demasiado. Mas quando embalar o chão irá tremer com os seus cavalos.
Equinos que não aparecem. Acho que vou já pedir a comida e quando aqueles chegarem que se sirvam.
Bem, foi um ar que se lhes deu!
Tomei a libertinagem de colocar ali ao lado (->) um link para um blog.
Chama-se o porteiro do cinema cheira a ervilhas.
É o Mr. Hyde.

terça-feira, julho 15

Bom dia! O meu nome é João Antunes e sou apenas mais um, entre outros, dos meliantes deste espaço caseiro.

domingo, julho 13

Apresento-me. Alberto Pereira. Um dos meliantes deste espaço caseiro.