segunda-feira, abril 26

São rosas, senhor!

MD: "Acho que é impensável termos uma DG partidarizada nos dias que correm"
Pois é caro Presidente, nas palavras de um grande sábio da nossa academia, ou és ingénuo e não mereces o lugar que ocupas ou estás a tentar enganar e, nesse caso, também não mereces o lugar que ocupas.
Porta-chaves com "R"!
Cartazes com "R"!
Evolução com "R"!
E as pessoas entretidas com o raio do "R". Que se foda o "R". Abril NÃO é Revolução! Abril, quanto muito, FOI revolução. Abril é um mês como os outros. Não é mais que qualquer um dos outros onze. Sob certo ponto de vista, pode até ser considerado menos que o 13º.
Que se foda o R! Abril não é nada. Abril, no máximo, é música, cerveja e punhos no ar. É, no máximo, saudosismo. Que se foda o "R"! Que se foda o Abril!
As pessoas entretêm-se com o "R" do Abril de 74 e temos o Abril de 2004 numa miséria. As heranças de Abril podem-se esquecer, o R é que não. Pode-se perder os direitos laborais, o direito à saúde, o direito à educação, o direito à habitação, o direito à liberdade e o direito à igualdade desde que não se perca o filha-da-mãe do "R"!
Só quer um "R" em Abril quem quer um "R" no futuro. Eu não quero "R" nenhum no futuro. Não me deixo ludibriar pelo misticismo revolucionário que é igual ao misticismo reaccionário.

Que se foda o "R"! Que se foda a revolução! Que se foda Abril!

domingo, abril 25

Por trás daquela janela

(Música e letra de José Afonso. Escrita por volta de 1972 e dedicada a Alfredo Matos, que se encontrava preso pela PIDE. Só hoje soube o intencional significado da música, quando lhe procurava a letra na internet.)

Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão

Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão

Se aquela parede andasse
Se aquela parede andasse
Eu não sei o que faria
Não sei

Se a minha faca cortasse
Se aquela parede andasse
E grito enorme se ouvisse
Duma criança ao nascer

Talvez o tempo corresse
Talvez o tempo corresse
E a tua voz me ajudasse
A cantar

Mais dura a pedra moleira
E a fé, tua companheira
Mais pode a flecha certeira
E os rios que vão pró mar

Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão

Na noite que segue o dia
Na noite que segue o dia
O meu amigo lá dorme
De pé

E o seu perfil anuncia
Naquela parede fria
Uma canção de alegria
No vai e vem da maré

Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão

Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão


Hoje, acordei, propositadamente, para ouvir os discursos da assembleia, e pus, intencionalmente, um cravo. Pela primeira vez, porque achei (afinal não fui só eu) que o 25-de-Abril-com-todos-os-Rs ia festejar os anos sozinho.
Não era possível pensar outra coisa, há mais ou menos um mês começaram a aparecer os polémicos cartazes que apelavam a um Abril de evolução, de forma que um 25 de Abril de Revolução passasse despercebido. Os evolu-cartazes apenas foram a cereja podre por cima das natas azedas das privatizações da saúde e segurança social, da demissão do estado das suas funções económicas e sociais, do crescente desemprego, do desrespeito pelos trabalhadores, do dinheiro gasto em submarinos e futebol, e da tentativa de nos taparem os olhos com os novos (e evolucionados) «Fátima, Futebol e Fado».
Mas hoje alguns saíram à rua, levando «cravos na lapela» (ao contrário da maioria dos deputados da assembleia) e vaiaram, «com flecha certeira», o primeiro ministro.
É tempo de preparar os cartazes para o 1º de Maio!



quarta-feira, abril 21



Enteada de Rousseau


Pois é... nem eu acredito.
Vê-las sentadas à mesa foi um fartote. Maria Filomena Mónica (em cima) e Maria João Avillez dissertaram sobre a grei, a plebe, a aristocracia e tudo. Filomena Mónica, como sempre, uma senhora. Avillez, como dantes, uma donzela. Tanto mais concordou Avillez com Mónica, quanto menos Mónica sobre o assunto se pronunciara. Surpreendi-me pela positiva com Maria Filomena... o que escreve pinta-a mais obtusa. Pelo menos quando fala, fala pouco. Mas certeiro... no peito do pé.
O Portas vai comprar 2 submarinos por 800 milhões de euros (despesa que a Nato considera "um desperdício").

Hip hip... Hurra!

O JPP vai para embaixador da Unesco.

Hip hip... Hurra!
Já o disse mas repito-o.
Que merda de futuro tem um país cuja geração na qual deposita esperanças tem como máximo insulto um: "Dah! tipo... tecla 3!..."

Foda-se.
Puta que os pariu!
E depois admiram-se por lhe tirarem o "R"...

"... saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas..."

consequência das consequências...

" acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade..."

Para que não restem dúvidas...
(e não digam, ao estilo de quem discute "presidenciais", que é extemporâneo, sim?)

FMI

"Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o mortimor do meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attachi-case' sai a solução!

FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI

Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI Panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no �guia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com os decassílabos que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no �lvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marraças, Marraças, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto."


Se em verdade, em verdade nos diz... pois respondamos AMEN.

sábado, abril 17

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sexta-feira, abril 16

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quinta-feira, abril 15

lá [no Brasil] como cá [em Portugal] há uma certa especificidade...
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quarta-feira, abril 14

(A MINHA) DÚVIDA DO DIA

O CD dos Mão Morta, que ontem trazia um Blitz agarrado, é o mesmo que vai ser posto à venda (sem Blitz)?

terça-feira, abril 13

os problemas do Lula com os banqueiros...
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segunda-feira, abril 12

continuando a "responder" ao [comentário do] meu (sempre!) muito prezado camarada AP:
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há quem (de entre os jovens do BE!) prometa ficar inactivo na campanha para as Europeias por não engolir o MP como candidato!! isso a mim entristece-me bastante. o BE não pode ser/ter uma militância intermitente, conforme os estados de humor/espírito, tipo: "olha, espera aí que eu vou só ali um pouco e já cá volto... entretanto aguenta tu por aqui as coisas". ou se está ou não se está!! c'um caralho!!

domingo, abril 11

"respondendo" ao [comentário à minha anterior entrada, realizado pelo] meu muito prezado camarada AP:
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por mais longe que o tentemos enviar, ele [MP] voltará sempre: "efeito bumerangue"!!! : - )

sábado, abril 10

"Não temos organizações de juventude, porque as organizações de juventude são escolas de crime", disse MP.
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sexta-feira, abril 9

A constelação de frequentadores de meretrícios clama pela restauração da consoante que outros tantos analfabetos, certamente para controlar o défice de letras, vendeu: o R.
Ainda assim palreiam, palreiam, mas longe da defesa da famigerada consoante como referência no quotidiano, relevam-no para o plano do paganismo comemorativo em festas e acampamentos, como se o futuro (com R maiúsculo) viesse inevitavelmente sob a forma de encomenda, elaborada e carimbada dezenas de anos atrás. A culpa é dos CTT pois com certeza.
Proponho então, na senda de grandes propostas históricas, como o passe vit movido a motor de quatro tempos, o R evolutivo ou, em alternativa, o E revolucionário, pois é público - há por aí outdoors com isso - que o R é ainda uma criança e o E, - ai o E,- há já quem preconize que, Branco, cairá de velho.

quinta-feira, abril 8

Um bando de físicos enormemente activos e profundamente entediantes aprisionaram-me no departamento de física da minha linda universidade.
sinto a radiação residual a sedimentar nas minhas pálpebras.
talvez a noite prossiga como se nada fosse e a minha sinusite desapareça.
além disso,
tenho em mim todas as noites de insónias que poderia desejar...




quarta-feira, abril 7

Ouvi dizer que o único sítio para estar nos dias 16 e 17 de Abril é o Centro Cultural Dom Dinis! Será verdade? Será rumor? Será que alguma banda vai tocar? Será que a banda é extraordinariamente boa?
Sinceramente não sei. Mas...

EU VOU!

P.S. - Nem pensem em vir com lições de moral por fazer aqui esta publicidade descarada. Eu já sei que ela o é!
Digam-me como é que se chamam aquelas estátuas de monstros com asas que se podem vêr naquelas catedrais francesas! Fui almoçar a uma pizzeria e o ingrediente "gorgonzola" fez-me lembrar essas estátuas e desde ontem que ando a pensar nisso. Digam-me o nome dos bichos ou enfiem uma bala na minha têmpora esquerda!

sábado, abril 3

o que nos anda a fazer o Governo laranja...
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um novo tipo de reciclagem??
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a malta da ZNet (e também da Z Magazine) anda a meter-se na blogosfera à força toda (principalmente na última semana). senão veja-se/leia-se... várias pessoas sobre economia, o Michael Albert e o inevitavel Noam Chomsky
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sexta-feira, abril 2

parece que se anda a incomodar alguma gente, pelo menos o JMF parece andar bastante preocupado para se dar ao trabalho de perder um texto completo [no editorial de hoje no Público] a bater em algo que diz que não tem valor e que são só ideias do passado; infelizmente (a meu ver) as transcrições que ele fez dos sites das outras organizações acabam por não ser postas em prática no movimento político de cariz eleitoralista [estarei eu a acusar o BE de reformismo??]