segunda-feira, maio 30

Também não.

Ao bom velho estilo marxista (bom... pelo menos, velho) , deixo-vos 10 lições a retirar do referendo.

1. o referendo só é desvalorizado depois de se saber o resultado,
2. a distância entre as decisões políticas tomadas no seio da UE e as posições dos cidadãos é muito grande,
3. a ideia de uma constituinte ganha força,
4. a importância da França oscila assustadoramente (se não fosse importante não teria havido tanto empenho entre as instituições para que passasse o Sim),
5. a campanha chantagista pelo Sim, perde força,
6. as probabilidades de ganhar o Não noutros países sobe consideravelmente,
7. as pessoas não se sentem bem quando lhes dão a escolher entre um caminho que elas não querem e o nada,
8. a extrema-direita tem um peso considerável neste resultado,
9. abre-se espaço para a exigência de uma Constituição Europeia noutros moldes, combatendo-se simultaneamente o modelo de UE que esta Constituição queria impôr e a posição xenófoba da estrema-direita pelo Não,
10. é possível (ou, pelo menos, desejável) fazer uma plataforma democrática pela recusa da Constituição em Portugal e retirar a questão da órbita partidária.

Não.

C'est vrai. Non.
É agora revelada a verdadeira face daqueles que, à priori, tomavam a ratificação como garantida. "O projecto europeu tem de continuar", "não impede a ratificação no geral", "não reflecte a real vontade dos franceses", etc, etc. A ilusão da democracia participativa referendária desmistifica-se. E, sob o véu que a cobria, encontra-se o real valor e importância deste tratado constitucional: zero.
E é delirante vê-los estrebuchar...

sábado, maio 28

Mais non!
As resistências à constitucionalização da Europa, nos parâmetros em que essa hipótese provável se coloca, têm vindo a forjar-se sobre heranças políticas muito heterogéneas e concorrentes, como sabemos. No debate público e contraditório, exclusivamente conseguido pelo imperativo referendário, a particularidade que, a meu ver, deve ser assinalada, consiste não tanto na agregação inovadora de tacticismos oriundos das esquerdas e das direitas, mas antes no seu efeito (aparentemente colateral) de militância sistemática para o despojamento de ambiguidades. Ou seja, não fosse a dramática amplitude da convergência táctica efectivada em volta do «não» (veja-se o profissionalismo do sítio do não) e o debate fundamental sobre a Europa estaria, certamente, amputado. São os «nãos» que justificam o «não», qualificando o confronto político. Estes, abaixo, são outros vôos:


«Le plus intéressant, la seule chose passionnante dans ce référendum en trompe l'oeil, c'est ce non qui se cache derrière le non officiel, ce non d'au-delà de la raison politique, car c'est celui-là qui résiste, et il faut qu'il y ait là quelque chose de bien dangereux pour que se mobilisent ainsi toutes les énergies, tous les pouvoirs confondus pour la défense du oui. Cette conjuration panique est bien le signe qu'il y a un cadavre dans le placard.»

em L'Europe divine, por Jean Baudrillard (Libération - 17 Maio 2005), acedido via sítio do não.

sexta-feira, maio 27

No café...

Pessoa #1: "Gente?!? Aquilo não é gente! Aquilo é merda! Aquela gaja só com uma corda ao pescoço, presa a um camião e arrastá-la pela estrada! E não era de alcatrão... Era de saibro!"
Pessoa#2: "Qual quê?!? Era num fórmula 1 para andar mais depressa!"
Pessoa #1: "Ela é muita boa! Mas fora isso não tem mais nada!"
Silêncio

Educação Sexual

De um lado, a indignação. Abordar a questão da masturbação num manual de educação sexual é absolutamente descabido, perverso, blá blá blá...
Do outro lado, os tiques esquerdalhos. É uma coisa natural, contra a opressão e os sentimentos de culpa, educação sexual sem preconceitos tem de ser mesmo assim, blá blá blá...

Continuo sem perceber a razão de tanto atrito. Afinal, o problema de um professor perguntar a um aluno se ele já se masturbou, se sozinho ou acompanhado, que partes do corpo é que ele gosta que sejam tocadas etc, é só um: é uma inadmissível violação de privacidade. Em que é que isso pode pôr em causa a questão da educação sexual?

terça-feira, maio 24

António Guterres é o novo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), anunciou Freitas do Amaral, de acordo com as notícias dos pasquins locais (a nível internacional, ainda não vislumbro nada).
Aparentemente, tem o apoio de toda a gente, desde os Americanos, passando pelos Russos e a sempre respeitadora China.

Mas que andou ele a prometer a esta gente e de quem raio vai ele proteger as pessoas? Do Quebec?
"The budget should be balanced; the treasury should be refilled; public debt should be reduced; and the arrogance of public officials should be controlled." -Cicero. 106-43 B.C.

segunda-feira, maio 23

Querem que apertemos o cinto...

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Alento

O "Foi um ar que se lhe deu", qual sabujo castrado, andou gordo e molengão durante uns tempos. A tal ponto que se ponderou o seu abate. "O blog nado-morto teria, talvez, sido um melhor blog.", dizia-se em lamuriosos murmúrios...
Numa operação plástica na Coreia do Norte, esse bastião da medicina moderna, implantaram-se-lhe uns novíssimos genitais clonados, numa tentativa de lhe devolver o brio, o orgulho e uma certa irreverência da juventude. Como também se diagnosticava uma crise de meia idade, ponderámos oferecer-lhe um casaco de cabedal com uma inscrição alusiva e uma fat boy, mas torna-se difícil encontrar bons casacos de cabedal neste país.

Esperemos, então, que o corpo aceite bem o novo orgão...

Bem Haja,

A direcção auto-proclamada.

segunda-feira, maio 16

Será que alguém com alguma experiência on campo pode redigir uma certifão de óbito em nome de foiumar.blogspot.com?

sexta-feira, maio 6

Hoje acordei assim:

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e apetece-me ouvir isto:

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e isto:

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