quarta-feira, março 31

simplesmente...
Paf!
Pim!
Splash!
Pum!
toc toc toc!
patapum!
Vruuummmm!

Screek!
Grrr!
Poc!
tic tic tic tic!
Brrr!
Bloc!

tic tac tic tac...
Fssssshhhhhhht!
PUUUUUMMM!
Quem o diz é quem o é!
Assembleias Magnas: Será que só teremos paz quando o último marxista-leninista for enforcado com as tripas do último trotskyista?

sábado, março 27

Um pirilampo acabou de perfurar o lóbulo esquerdo de Salazar.
Parabéns, parabéns, parabéns.

Quantas vezes me virarei eu na cama até adormecer? Suponho que se ele estivesse no chão eu teria mais facilidade em respirar.
Estamos quase no 25 do 4º mês. Este vai ser o 30º da História.
Dêem-me 30 vezes 25/4.
Dêem-me um 25 em Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro ou Dezembro.
Dêem-me um 25 mesmo que seja noutro dia qualquer.
Dêem-me um 25/4 em 04/11 ou 21/07 ou 9/03 ou 14/10.
Dêem-me um 25/4 exactamente igual ao de 74.
Dêem-me um 25/4 ligeiramente parecido ao de 74.
Dêem-me qualquer coisa que se pareça com o 25/04/74.
Dêem-me um 25/04 sem corantes nem conservantes.
Dêem-me um 25/04 que não seja geneticamente manipulado.
Dêem-me um 25/04 embrulhado em papel de embrulho reluzente.
Dêem-me um 25/04 bonitinho.
Dêem-me um 25/04 que não seja horrível.
Dêem-me um 25/04 aos berros.
Dêem-me um 25/04 silencioso género manhã de Primavera.
Dêem-me um 25/04 que voe.
Dêem-me um 25/04 pesado que nem um boi.
Dêem-me um 25/04, dêem-me um 25/04, dêem-me um 25/04!
Dêem-me um 25/04 agora.
Dêem-me um 25/04 daqui a um bocadinho.
Desde que não demore muito que tenho de ir dormir.

quarta-feira, março 24

Escrito à máquina em folha de papel A6 vincado e rasgado pelo vinco:
"NÃO DEVE ESTACIONAR A
VIATURA EM CIMA DO
PASSEIO NESTO (sic) LOCAL
� (sic) PRÓXIMA VEZ SER�
REBOCADA PELA POLICIA (sic)"

Andará a Polícia Municipal a recorrer a milícias populares?

segunda-feira, março 22

É curioso que, exactamente no mesmo post em que apelas à fastidiosa tradução de "saudade", tenhas recorrido a um termo que, muito embora tenha evoluído na língua portuguesa para um significado distinto, possui uma raíz semântica na língua galega idêntica à "saudade": "morrinha", precisamente. Talvez os campos lexicais para que remetemos os conceitos não sejam assim tão longínquos como à primeira vista pode parecer...

domingo, março 21

ESCRITA «FRANCHISADA»?

Esta tarde (como é domingo dedico-me à morrinha televisiva) vi uma entrevista, no canal de notícias do cabo, com um novo escritor português, que viveu uns tempos em Nova Iorque, promovendo o seu recém-publicado livro com o título O Maior Espectáculo Do Mundo - não me lembro do nome do escritor, mas fixei o do livro que, aviso, não li e, muito provavelmente, não vou ler. A entrevistadora apontava, como se de uma vantagem se tratasse, que aquele livro podia ter sido escrito em qualquer sítio, por um escritor de qualquer nacionalidade e podia passar-se em qualquer lugar do mundo.
A principal qualidade do dito livro seria, assim, a descaracterização - a mesma que tenta invadir as cidades, atinge, agora, a escrita.
Meses antes (mais precisamente em Dezembro), nesse mesmo canal, ouvi o realizador Manoel de Oliveira a dizer- quando lhe perguntaram se este (esse) era o seu Porto - , pesarosamente, que cada vez mais as cidades estão mais parecidas umas com as outras. No entanto, as cidades ainda se mantêm, de alguma forma, únicas - seja pela sua arquitectura, pela sua luz, pelo seu cheiro, pelas suas pessoas.
Parece-me ainda mais difícil essa descaracterização da escrita, e repugna-me que uma obra escrita em português possa ser igual a uma escrita em qualquer outra língua (tentem traduzir «saudade»), sendo o inverso igualmente difícil. O que torna uma obra única e lhe confere conteúdo é a particular vivência do seu autor, que, a meu ver, resulta da sua particular percepção do particular meio em que se insere. Escreveria a Marguerite Duras da mesma maneira se nunca tivesse conhecido Indochina? Lobo Antunes transmitiria os mesmos sentimentos se tivesse outra experiência de vida?

sexta-feira, março 19

Encontre-se.

Procura-se telemóvel perdido algures entre o taxi n.º 61 e a padaria dos SASUC, de cuja marca não me lembro (mas já soube). Vivo ou morto.

quinta-feira, março 18

"Não percebe nada de terrorismo quem não percebe que não é a força que atrai as bombas, mas a fraqueza"
JPP, Público, 18 de Março de 2004.

Poderia ser lamechas e fazer o discurso do "não é a guerra que é sinal de força mas sim a paz, blá blá blá" mas ao invés, deixo aqui JPP sózinho e desemparado. Ao abandono no seu ridículo.

domingo, março 14

Li, num texto dos novos intelectuais, não sei bem onde, a expressão "física euclidiana". Bem, o Euclides fez uns axiomas para a geometria, mas esta é nova. Não vou apontar armas a um qualquer arauto da democratização pós-moderna do discurso científico. Mas é mais um belo exemplo do perigoso precedente criado pelos doutos académicos relativistas. Relevam o discurdo científico para o nonsense-comum.
... mas vou preferir a confraternização!!
deveria tentar estudar...
A calhar para a conversa...

Encontrei o seguinte texto num post deste blog:


196. DISPARATES PÓS-MODERNOS - FUJIMURA & VALOR DE PI
Depois da discussão entre cientistas (António Manuel Baptista) e pós-modernos pós-racionais (Boaventura Sousa Santos & Eduardo Prado Coelho), o BSS lançou agora um calhamaço de 775 páginas (o que para o EPC é garantia de qualidade, como se a qualidade se medisse ao quilo!!), com 34 artigos de diferentes autores, incluindo uma pérola de Joan Fujimura (p. 143-171), antropóloga nos EUA, que passamos a ver:

No artigo piada de Sokal “Transgressing the bounderies�, há uma passagem que não foi refutada, pelo que conclui que o valor de Pi varia no tempo, dizendo que o valor de Pi foi refutado há 170 anos pelas geometrias não euclidianastendo vindo «a transformar o nosso entendimento da circunferência do círculo unitário (ou Pi) e os nossos conceitos de espaço e de tempo».

Como qualquer estudante do liceu sabe, Pi é a razão entre o perímetro e o diâmetro de qualquer circunferência. Ora as geometrias não eucledianas, obviamente, não iam alterar isto!

Mas ela afirma: «O valor do perímetro do círculo unitário (ou Pi) mudou». E continua: «Pode ser diferente de 3,14159... e é um dos mais interessantes temas de estudo da geometria pós-euclediana».
E continua: «apresento a seguir outro exemplo, o das distâncias não-euclidianas, a partir dos quais é mais fácil explicar como se calcula valores alternativos». E calcula diversos valores «alternativos»!
Mais à frente: «Os matemáticos e os cientistas mudaram o mundo ao desafiar os cânones universais e as constantes».
Este artigo, do início ao fim, é só disparates! Com muitas imprecisões matemáticas!
(adapt. Jorge Nuno Silva, matemático, Jornal de Letras/Educação, 21/1/04: 11)

sábado, março 13

os pozinhos-modernistas (parte II)

- A SMR sistematizou o discurso. Está mais claro e objectivo. Obrigado por isso. No entanto, não compreendo a sustentação para a afirmação constante no ponto 3:«Por outro lado, dentro dessas meta-narrativas englobo o discurso científico, que cada vez mais explica tudo (mesmo sem o explicar...) e por ser científico é inabalável.». Nunca a Ciência se pretendeu ser inatacável ou inabalável, mas não o será- nem atacada nem abalada- com certeza através da oratória académica pós-modernista.

- o tr insinuou a instrumentalização da Ciência, mas vou evitar discutir isso, para não o insultar. Continua com os seus devaneios psicóticos. O último texto é reduzível a três frases. Como disse o general françês: "À la merde!";

- as seguintes reflexões baseiam-se nos posts dos autores acima nomeados;

- é falaciosa a referência a uma "anti-pós-modernidade" pois não é concebível o oposto (anti) de algo inexistente;

- tanta merda para tentar justificar, usando um raciocínio moderno, ainda assim ilógico, o injustificável, na transferência ad hoc das exigências da Ciência para a mísera e néscia narrativa (para usar um termo do meio) empirista das auto-denominadas ciências sociais;

- objectivamente, realizam afirmações categóricas, dogmáticas até, através de mecanismos deterministas facultados pelo modernismo, no sentido de justificar conceitos relativistas/subjectivos, rumando pela via que tanto vilipendiam e contradizendo-se, demonstrando-se, assim, a sua inviabilidade (da proposta pós-moderna) através do processo de redução ao absurdo;

- «Sei que é um exercício intelectual «giro» (decorativo e inútil). Apesar disso, simpatizo com ele.»(SMR). Não posso senão concordar em absoluto com esta definição, embora pessoalmente tenha preferência pelas palavras cruzadas;

- posto isto, e cônscio da devida resposta, apelo a que se faça com ponderação, sensatez e num estado sóbrio.

Abraço a ambos.
Situando-me num lugar híbrido nesta discussão «Pós-modernidade vs. Anti-pós-modernidade» (conheço pessoas que são anti-teatro e anti-poesia e como tal auto-classificam-se e, a partir daí concebo “anti� a anteceder seja do que for) vou tentar esclarecer determinados pontos, na estrita medida em que os digo e como pessoalmente os entendo:
1. No que respeita à relação pós-modernidade/modernidade, não pretendi sugerir que a primeira fosse um mero «revisionismo paradigmático» da segunda, pretendi, apenas, considerar a primeira uma reescrita da segunda.
2. Esta reescrita cativa-me na medida em que narrativas que sempre foram inquestionáveis até determinada altura (modernidade?) – e que serviram para acriticamente explicar e legitimar determinadas instituições (seja a igreja católica ou qualquer outra), práticas sociais ou políticas (sejam elas o capitalismo ou o comunismo), legislações, condicionalismos morais e, simplesmente, maneiras de pensar – começam a ser postas em causa. O mesmo jogo, com outras regras.
3. Por outro lado, dentro dessas meta-narrativas englobo o discurso científico, que cada vez mais explica tudo (mesmo sem o explicar...) e por ser científico é inabalável.
4. Entendo as acusações de onanismo intelectual dirigidas à redução de (quase) tudo a uma narrativa. Respeito-as, ou melhor, aceito-as. Sei que é um exercício intelectual «giro» (decorativo e inútil). Apesar disso, simpatizo com ele.
5. Em relação ao extremo subjectivismo («um subjectivismo radical e decadente»), este não deve ser entendido ao pé da letra. O apelo feito, pela pós-modernidade, ao particular, singular, único, temporário e provisório (e, consequentemente, ao juízo estético da Terceira Crítica) resulta da massificação e progressiva normalização da sociedade, que deixa de fora O Estrangeiro e O Idiota – em suma, O Outro.

Por fim: «– Não entendo o que quer dizer com «glória» - confessou Alice. Humpty Dumpty sorriu com um ar de desprezo. – Pois não... até eu te dizer. Quis dizer, «ora aí tens um argumento imbatível».– Mas «glória» não quer dizer «um argumento imbatível» – objectou Alice. – Quando eu emprego uma palavra, ela quer dizer exactamente o que me apetecer... nem mais nem menos – retorquiu Humpty Dumpty num tom sobranceiro.– A questão é se você pode fazer com que as palavras queiram dizer tantas coisas diferentes.– A questão é quem é que tem o poder... é tudo – replicou Humpty Dumpty.». (Lewis CARROLL, Alice’s Adventures in Wonderland and Through the Looking Glass, 1871, cit. na trad. port. de Margarida VALE DE GATO, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, Relógio d’�gua, Lisboa, 2000).

sexta-feira, março 12

(H)À resistência modernista

Como se a História estivesse em risco, eis que os modernicistas não admitem (por muito que doa ao materialismo) que não conseguirão desvincular a História da Historiografia. Por tão juntas que têm caminhado, teimam em confundir-se! Pois se a primeira não será um discurso, porquê inventar-lhe reduções-receita: "as condições reais duma luta de classes"? (falar para o boneco) Eles sabê-lo-ão. Ou ela é invisível, ou anda meio mundo cego (pois...). Eles, melhor do que ninguém, saberão do que a Ciência maiusculada gasta, qual equação Ciência - Universidade (AP), escudando-se nas comunidades produtoras do conhecimento do progresso, iluminado e iluminista (das quais são fieis aprendizes), munindo-se, à primeira ameaça, dos repertórios autojustificativos do costume. Quanto mais autonomizam a ciência do mundo, tanto menos reconhecem o seu papel regulatório na promoção de um monopólio de interpretações, ao qual se atribuí o estatuto formalizado, institucionalizado e, em última análise, religioso (pelo seu culto), que materializa a aliança saber-poder. Essa hegemonia de que falo, longe de se consolidar no seio de uma comunidade científica que só conhece porque aspira ao conhecimento, construiu-se e prolongou-se sob o modo de produção dominante na modernidade, o capitalismo, que, anexando a ciência, fez dela uma das suas faces legitimadoras. Compreendo que me responderão que não tinha de ser assim, bastando a emancipação do "sujeito histórico" (Único!) - o proletariado, para que a ciência, exactamente a mesma, fosse produzida a bem da humanidade, isto é, dos proletários de todo o mundo unidos (!). Mas é também contra estes dois esquemas polarizados, mas homólogos, de reificação do conhecimento que o projecto pós-moderno tende a propor condições de emergência de uma multiplicidade de formas de conhecer até então silenciadas, ou porque faziam perguntas demasiado complexas, ou demasiado simples. Este processo de democratização e reconhecimento da amplitude de sentidos, preocupações, agendas e modos de conhecer constitui, dessa forma, uma visão cosmopolita da diversidade de registos e linguagens, sendo o recurso ao senso-comum a requisição de um património humano, cabendo à ciência a ponderação de uma 2ª Ruptura Epistemológica: se, modernamente, a primeira residiu no afastamento das pré-noções (Max Weber - neutralidade axiológica) e na vigilância e depuração dos etnocentrismos, dos individualismos e dos naturalismos, o desafio é, agora, a reaproximação desse depósito de conhecimentos ao senso comum, isto é, enquanto linguagem não só democratizada, como fundamentalmente participada e, portanto, reiventada. Refiro-me, genericamente, às Ciências Sociais. O apuramento dessa possibilidade e/ou capacidade nas designadas Ciências Naturais (e Exactas) será subsidiário de um diagnóstico distinto, muito embora perfilhe igualmente das mesmas exigências e do mesmo carácter desconstrutor dos seus impactos e da sua raiz societal, enquanto prática de produção, reprodução e legitimação de um paradigma civilizatório.
"Aqui há uns anos, na televisão, havia um programa de conversas em que o jornalista Luís Osório entretinha um debate com o dr. Daniel Sampaio e uma figura retorcida, que se sentava sobre as pernas, fazia uns vagos gestos com as mãos e, volta e meia, soltava umas frases desgarradas, tipo-pós-modernas, restaurante dos Tibetanos ou Frágil. Entre os meus amigos, baptizámo-la de "A Vírgula", devido aos seus contorcionismos, e divertiamo-nos a imitá-la no dito programa. Mas, ao consultar a lista de deputados saídos das últimas legislativas, constatei com espanto que "A Vírgula" havia sido eleita suplente na lista do Bloco de Esquerda e, como tal, estava destinada - devido ao rotativismo igualitarista do Bloco - a aparecer ocasionalmente como deputada da nação, isto é, minha deputada. Cheguei a vê-la, aliás, numa intervenção parlamentar, onde já não apareceu sentada sobre as pernas e a pose era claramente de alguém que tinha passado a levar-se francamente a sério - embora com piores resultados."
Miguel Sousa Tavares - Público (04/03/12)

"Vivo com uma faca espetada nas costas
Ai! Que bom que é, que bom que é, que bom que é!"

Sérgio Godinho - Os Sobreviventes (1972)
Boaventureirices...

Este responde ao bem(?!)-aventurado post abaixo. Coube-lhe o papel de "caceteiro" - e justíssimo, visto que chegou primeiro - e deixa aos "peralvilhos do século XXI a tarefa menos árdua e menos vil[...]", ainda assim menos divertida. Em todo o caso coloquei uma pala no olho (esquerdo, para que não leia barbaridades), uma camisa sem mangas e estou preparado para fazer o papel do casquilho, descodificando paulatinamente a explícita gíria.
Torna-se penosa a tentativa de fugir da crítica escatológico-escarninha às fundações gerais deste relativismo absolutista, fraco esboço de paradigma, para mais recusando os seus conceitos ininteligíveis - mas que raio poderá significar "heterotópico"?, nem tendo absoluta certeza de o querer fazer, mas tentarei ser o mais claro que a paciência me permitir.

1. A garantia da natureza efémera do pós-modernismo, sub-produto de uma Situação, recai na inaplicabilidade das suas premissas, que, a ser aplicadas, reduziriam o mundo a um subjectivismo radical decadente. É, ainda, o projecto em curso do modernismo que garante os movimentos políticos, a Ciência ou a Universidade, mais, o movimento real de emancipação, etc;

2. Irrita-me a tentativa de recurso a ideias/conceitos/métodos objectivos das ciências exactas para demonstrar conceitos subjectivos, realizando afirmações categóricas sobre aqueles, numa clara contradição;

3. A importação dessas noções das ciências exactas sem a menor justificação conceptual ou más interpretações das mesmas são erros repetidos à exaustão. A título de exemplo, a teoria do caos, explanada em equações absolutamente deterministicas, é conspurcada e usada para defender um limite da Ciência ou, até, o fim do determinismo;

4. Convido-vos agora a visitar este sítio. Em cada acesso ao link, será automaticamente gerado, por software, um texto completamente aleatório e sem qualquer significado. Leiam e maravilhem-se;

5. Debruço-me agora sobre algumas afirmações do tr, "desflorando-as" pelo caminho:

5.1. "A sua enunciação [da História] talvez tenha sofrido deslocações de retórica, objecto, [...]".
A redução da História a uma enunciação de uma construção social revela a obsessão na percepção humana, na sua construção social e linguística. A pretensão transformadora e subversiva (arriscar-me-ia, até, a dizer revolucionária) dos pós-modernistas esvai-se nessa obsessão, prevalecente sobre a dura realidade, as amarras do trabalho;

5.2. "sedução celebratória". É uma expressão muito gira.

5.3. O paleio psicotrópico seguinte das "mini-racionalidades" recai sobre a dimensão política (vou esquecer a distracção da (ir)racionalidade). Admite, simplesmente, as capacidades emancipatórias das várias condições sociais independentemente (os nãos-qualquer coisa). Só. Ora cada uma dessas dimensões não passa de um reflexo da teia de relações construida pelo mercado. A superação da condição de sub-produto, o "remendo", é inútil pela sua inconsequência no superar de todas as injustiças.

5.4. "a hermenêutica do conhecimento [...] única área do conhecimento.". Com isto pretende reivindicar a legitimidade das áreas de conhecimento social em se denominarem ciências, com acesso, em igualdade, aos métodos objectivos das ciências exactas. Para resposta a esta afirmação ver pontos 2 e 3.

5.5. É o último por agora - embora as últimas duas frases nem de uma segunda leitura sejam dignas, dedicar-lhes-ei um post próprio. "O seu contrário[...] visando constituir-se em senso comum [...] modernidade de topo.". Sim senhor: senso-comum, depois de escrever um texto afogado em jogos de linguagem que roçam o incompreensível propõe um "conhecimento-emancipação" que visa constituir-se em senso-comum. Lindo.


Nota final: Espero, para o bem de todos, ter sido bastante claro e sistemático. Agradecido.

P.S.: Um beijito para o tr e a Alice...
Hoje, o Melo é ainda mais espanhol que nos outros dias...

quinta-feira, março 11

Muito me congratulo ao rever a discussão em torno da (Pós-)Modernidade. A diferença é que um senhor denominado AP, ao remexer na polémica, se defrontou, inesperadamente, com um(a) novo(a) interlocutor(a): SMR. A crítica e a crise da Modernidade, tal como é explicitada, não é feita à custa da sedução celebratória. Não, História não acabou. A sua enunciação talvez tenha sofrido deslocações de retórica, objecto, contextos e discursos. Mas ao contrário do que nos é revelado por SMR, não se trata de revisionismo paradigmático ("Muitas características da pós-modernidade são características da modernidade, a que é dado um novo prisma."). Antes de transição. Nesse sentido, à imputação de uma (ir)racionalidade de natureza societal, é sugerida uma resposta, de acordo com o "nosso" BSS, que assenta em mini-racionalidades (que não são racionalidades mínimas - Pela Mão de Alice). Daí o recurso ou mesmo o privilégio d'"«O Outro», o não-heterossexual, o não-racional, o não-nacional, o não-saudável, que irá desafia as categorias racionais do pensamento" (SMR), visando o desafio heterotópico de começar de novo. As fronteiras, de muros passam a corredores, a forma passa a conteúdo, o dentro passa a fora. A hermenêutica do conhecimento enquanto prática social não poderá, portanto, contornar o conhecimento-regulação (BSS), disciplinação do observar, que em muito pouco fica aquém ou além de um "discurso do conhecimento [que] serve uma ciência em exclusivo, não pode(ndo) existir métodos exclusivos de uma única área do conhecimento" (SMR). O seu contrário (e não o seu duplo) - o conhecimento-emancipação - , visando constituir-se em sendo-comum, dele herda a sua acessibilidade, a sua riqueza, a sua partilha, a sua circulação comunitária, que, pela insuficiência da 1ª Ruptura Epistemológica, terá ficado negligenciado, isto é, à sombra da modernidade de topo. O iluminismo terá susbstituiu o peso da revelação teológica pela epistemologia e metodologia científicas. Todavia a reparação dessa operação cumprida quer excessiva, quer deficitariamente não será comportável num paradigma moderno. Nem anti-moderno. Põs-moderno.

alguém ainda se lembra do que se passou a 11 de março de 1975 [à 29 anitos atrás]????? spinolices!!??
Só porque não cabia nos comentários:

«Posmoderno será comprender según la paradoja del futuro (post) anterior (modo)» (LYOTARD, Jean-François, Le posmoderne expliqué aux enfants (1986), cit. trad. Esp. LYNCH Enrique, Gedisa Editorial, 1999, pág. 25).

A pós-modernidade não se apresenta numa relação de ruptura face à modernidade, o pós-moderno não é o fim do moderno, mas o seu estado nascente e o que deveria ser o seu estado constante. Muitas características da pós-modernidade são características da modernidade, a que é dado um novo prisma. Em suma, são privilegiados novos operadores narrativos, deixa de existir uma fronteira nítida entre os géneros literários, o narrador deixa de ser omnisciente e a narrativa passa a ser parcelar (o narrador reveza-se e só sabe a sua parte da história, ao mesmo tempo que transparece a autoconsciência da limitação) e, acima de tudo, deixam de existir regras para a criação literária, sendo privilegiada a subjectividade e individualidade do autor.
Trata-se de um pensamento oposto aquele que é incutido pelo Iluminismo, pela racionalidade que o Iluminismo postula, estando agora a linguagem fora dos padrões da razão, e que, por isso deixa de ser transparente e deixa de representar um mundo ordenado onde seres racionais – «nós» – se movem. A este «nós» opõe-se «O Outro», o não-heterossexual, o não-racional, o não-nacional, o não-saudável, que irá desafia as categorias racionais do pensamento, deitando por terra o padrão racional.
O papel do pensamento pós-moderno vai ser desconstruir as narrativas legitimadoras, tornando-as incredíveis, e vai fazê-lo privilegiando o particular, o singular, o único, o temporário, o provisório.
A pós-modernidade vai ser a negação de que um determinado discurso do conhecimento serve uma ciência em exclusivo, não podem existir métodos exclusivos de uma única área do conhecimento, a fragmentação do conhecimento deve ser combatida.

quarta-feira, março 10

Pós-modernismo: factor de aculturação que transforma a vulgar embriaguez em enologia.

terça-feira, março 9

segunda-feira, março 8

POTENCIAL CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DE PORTUGAL APRESENTA LIVRO NA FNAC DO CHIADO, EM LISBOA

O desenho animado que frequentamos está perdido! Na Fnac?!
Das duas uma: ou nenhuma livraria que se preze quis servir de palco para a apresentação de um livro de Cavaco Silva (tentador mas, infelizmente, não realista), ou... na Fnac?!
Fnac!? Um (potencial) candidato margaridarebelopintado?!
Todo este meu espanto – infundado para alguns – deve-se ao facto de associar a Fnac a um determinado tipo de literatura, vulgarmente denominado light, mas conotado por mim com fast food.
Se a "Autobiografia Política" é apresentada na Fnac, o jantar da possível apresentação de candidatura terá lugar no MacDonald’s?
Desde que apresentaram o Harry Potter no Panteão Nacional...

quinta-feira, março 4

qual é a tua Internacional?

esta?

De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Refrão
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Duma Terra sem amos }bis
A Internacional.

Messias, Deus, chefes supremos,
Nada esperemos de nenhum!
Sejamos nós quem conquistemos
A Terra-Mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo o que a nós diz respeito!

Refrão


ou esta?

A pé ó vítimas da fome
Não mais, não mais a servidão
Que já não há força que dome
A força da nossa razão
Pedra a pedra rua o passado
A pé trabalhadores irmãos
Que o mundo vai ser transformado
Por nossas mãos, por nossas mãos

(Refrão)
Bem unidos, façamos
Nesta luta final
Uma Terra sem amos
A Internacional
Bem unidos, façamos
Nesta luta final
Uma Terra sem amos
A Internacional

Não mais, não mais o tempo imundo
Em que se é o que se tem
Não mais o rico Todo-O-Mundo
E o pobre menos que ninguém
Nunca mais o ser feito de haveres
Enquanto os seres são desfeitos
Não mais direitos sem deveres
Não mais deveres sem direitos

(Refrão)

Já fomos Grécia e fomos Roma
Tudo fizemos nada tivemos
Só a pobreza que é a soma
Dessa riqueza que fizemos
Nunca mais no campo de batalha
Irmãos se voltem contra irmãos
Não mais suor de quem trabalha
Floresça em fruto noutras mãos

(Refrão)


estou a acobardar-me. já não sei se quero dizer algo!! até porque nem sei se alguém me ouviria... [ou pelo menos me compreenderia]. enfim... hoje vou jantar fora de casa, pode ser que isso me ajude.

quarta-feira, março 3

Fogo

I
" o fósforo
acende o cigarro
e traz
ao horizonte
do poema
sombras,
nuvens
[tenuidades perpassando
no papel
sobre a arquitectura
ainda húmida
da escrita
com essa
velocidade

II

que um pouco
de fulgor impele
para dizer
como o último sol
as acompanha
e o inverno
se dirige
ás micro-cidades
silenciosas, ás páginas
quase vazias ]
nuvens,
sombras
que entristecem
Orfeu:

III

"o meu canto,
Euridice,
esgota-se por fim
na água exígua
das sílabas que vês
aqui
d esp
ed aç ad
a s
entre as chamas
dum inferno
menor
que o fogo
deste fósforo".

Carlos De Oliveira.

terça-feira, março 2

Numa rua de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis d'ouro a um tostão
enriquece o charlatão

segunda-feira, março 1

o que me apetece dizer?? muito sinceramente?? QUE SE FODA A ACADEMIA!!!!