sexta-feira, fevereiro 27

segunda-feira, fevereiro 23

Presenteio-vos com um pouco de sabedoria Garfieldiana sobre o ócio (a propósito deste fim-de-semana alargado dedicado à ausência de actividade).

"O que tem de bom a preguiça, perguntarão? Então e se a guerra fosse declarada e ninguém aparecesse?"
"A semana da preguiça diz-lhe algo? Questione-se o seguinte: gostaria de participar numa manifestação comemorativa da vida ociosa? Se a resposta for sim... Está redondamente enganado quanto à semana da preguiça."
"Nunca confundir ociosidade com apatia. Nós, os ociosos, não somos apáticos. Os apáticos não se preocupam com coisa nenhuma. Os ociosos, sim. Só que não fazem nada por isso."
"Ó ociosos, não esqueçam a palavra de ordem da semana nacional da preguiça: deve haver uma maneira mais fácil. Muitas foram as grandes ideias geradas por esse nobre sentimento. Podem apostar que não foi um maluco do exercício quem inventou a direcção assisitida".
"As pessoas chamam-lhe «inútil»? As pessoas chamam-lhe «batata de semente»? Porque havemos de ser expostos ao ridículo só porque subscrevemos um estilo de vida cineticamente passivo? Devemos defender-nos! Da proxima vez que vos chamarem preguiçosos, respondam que foram doentes em criança!"

Davis, Jim. "Garfield - redondo como o mundo". Lisboa, 1993, Publicações Dom Quixote.

domingo, fevereiro 22

hoje deu-me para ser politicamente incorrecto (ou, melhor dizendo, uma besta machista), aqui vai mais uma...
como é Carnaval espero que ninguém me leve a mal...

quinta-feira, fevereiro 19

PALAVRAS

«Lolita, luz da minha vida, fogo da milha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.»
NABOKOV, Vladimir, Lolita, trad. Port. Fernanda Pinto RODRIGUES, Editorial Teorema, pág. 11

A estranheza que me causou a palavra «professor» quando lida e, subsequentemente, dita em voz alta, fez-me recordar, por oposição, o primeiro parágrafo do Lolita do NABOKOV, que sabe muito melhor dizer em inglês (e em voz alta), por causa do jogo de sons: «Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo-lee-ta: the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth. Lo. Lee. Ta.» (Agradecendo ao sitio que comemora o centenário de NABOKOV).
Existem outras palavras assim – e «palavras» é uma delas -, que sabem bem dizer. Sabem bem, porque se enrolam na língua e parece que as papilas gustativas lhes prendem o sabor e ficamos com a boca cheia de nada, mas ao mesmo tempo com o sabor de cada som.
Agradeço a quem me disse que «maltrapilho» é das melhores palavras que existem.
Esta quarta feira, passei-a entregando-me incondicionalmente ao departamento de física desta magnífica universidade, ajudando o pessoal docente, logísticamente, numa iniciativa que visava a publicitação positiva dos cursos que aí são leccionados, pelas escolas do ensino secundário. Fui colocado, com mais dois camaradas, no último piso do imponente edifício, todos com a função de aí controlar o fluxo de pessoas, professores e alunos, assim como a sua entrada e saída dos laboratórios de fisica nuclear e coisas assim. Nesses, professores voluntariosos e corajosos permaneceram o dia inteiro, repetindo vinte e não sei quantas vezes, as mesmas descrições, as mesmas histórias, as mesmas fábulas científicas. Sublinho até o sorriso fundamental com que um professor de 70 e tal anos procurava ajudar-nos, e dando, igualmente, inúmeras palestras - surdo e com uma capacidade incrível de projectar a longas distâncias grande quantidade de gotículas salivares, emiscuídas num poderoso odor. E de repente, assim de repente, sem aviso, aparece-me uma besta de um professor assistente que deve ter aí 29 anos, ai a besta ai a besta, muito irritado com tudo aquilo, porque tudo aquilo, as criancinhas, eram muitas muitas, e que tudo aquilo estava mal organizado, muito mal organizado, ai a besta ai besta, e fartou-se de telefonar a queixar-se , ai ele a queixar-se a besta, e ele a cuspir imprecações a cada precalço, a cada pequena situação - ele muito tudo aquilo, muito professor investigador investigando não se sabe bem o quê não explicou a ninguém o professor investigador não professor. quem investigará o professor investigador não professor? quem será o professor do professor investigador não professor?
Não obstante a frequência paranormal na altura, há bastante tempo que não frequentava um espaço que pode ser definido como, no sentido em que se encontra aberto ao raiar do dia, uma discoteca:
os "flirt's" bebidos e, consequentemente, extrovertidos; o incomodativo zunir nos tímpanos, fruto do ilegal débito de décibeis; o efémero menosprezo pela consciência da condição de insecto irrelevante, ainda assim egocêntrico - Deus, a existir, é um entomólogo.
Findas as 4 e meia da manhã
gastos 2000 escudos
bebidos gin tónicos medianos
fumados 20 cigarros
esgotadas as esperanças
, altura da rendição, tão sóbrio como à entrada, deprimido como nem três anos de catequese conseguiriam deprimir. Breve arrasto a casa, esperando desenhos animados na TV.

25 anos, e cansado...

quarta-feira, fevereiro 18

A entrevista ao Bagão Félix no "Diga lá, Excelência".
O artigo do Freitas do Amaral na Visão.
O Padre Victor Melícias com "um espaço de reflexão" semanal no programa Sic 10 horas utilizado hoje para falar do aborto.
Luís Villas-Boas, Presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei da Adopção Portuguesa que diz:
- é preferível uma criança passar toda a vida num centro de acolhimento "à infelicidade de ser educada por homossexuais"
- "ser lésbica não é ser mulher na plenitude natural do termo"
- "a criança não deve nunca ser adoptada por homossexuais", porque tal irá interferir com a sua "sexualidade natural". "Tudo o que seja induzir comportamentos que não correspondem à sua condição sexual é um atentado ao direito das crianças"

E eu pergunto: "Estarei são?"

segunda-feira, fevereiro 16

Os novos panfletos da DG (da contra-educação) ensinaram-me duas coisas. Ou melhor, ensinaram-me ou uma coisa ou outra.

Uma coisa: a culpa disto tudo é da Manuela Ferreira Leite e os outros todos, incluindo o Primeiro, até têm boas intenções mas a Manuela não deixa.

Outra coisa: Esta DG é, provavelmente, a maior cambada de imbecis, burros, pedantes que já vi.

E o pior: também nos tomam por imbecis.


P.S. - Boa sorte para os exames (Este de ler-se com ar irónico)
P.S. 2 - Viva a Academia (Este também)
... acho eu da praxe!!!

quinta-feira, fevereiro 12

Hoje, um amigo declarou, convicta e solenemente:
-Tu, mais um ano e "passas-te".
Tentei rebater, com o único argumento que dispunha na altura:
-FODA-SE!

terça-feira, fevereiro 10

A Camorra Lusa juntou-se no Convento do Beato. Doutíssimos empresários, MBA's a pontapé, nédios risonhos, reuniram-se em grupo de pressão para defesa daqueles que os acusam de ser um grupo de pressão. Discorrendo alegre e sacralmente sobre as "causas das cousas", que é como quem diz o desenvolvimento económico, as víboras peçonhentas congratular-se-ão no dia da queima da constituição, mero "pedaço de papel", literalmente, em praça pública e quando, em prol da mui aclamada flexibilização laboral, encontrarem o perdão divino e a sagração com a gran-cruz da ordem das cruzadas, que lhes permitirá, para o Bem do País, executar sumariamente empregados no pardieiro a que chamam local de trabalho.

segunda-feira, fevereiro 9

Num País mormente constituído por néscios bezoantes, facilmente verificável por um passeio no jardim, qualquer latido em prime-time é o bastante para condicionar o espírito crítico dos incautos.
Vem isto a propósito da sondagem da Universidade Católica para a RTP, que, retirada de contexto, transforma os visados em selvagens especuladores e ruidosos apologistas do mercado livre.
A apresentação dos resultados demonstra o quão fácil é manipular uma sondagem deste género. O Público, por exemplo, coloca como título "Sacrifícios para equilibrar contas públicas valem a pena", interpretando o resultado de 53% nesse sentido. Ora, após dois anos a tortura de espremedouro, a resposta, até em jeito de defesa na esperança para evitar depressões, não podia ser outra. Já a questão "Se tivesse de escolher, qual das seguintes acções acha que mais podia ajudar a relançar a economia portuguesa", à qual 42% responderam "Reduzir os impostos às empresas" e outros 42% "Aumentar os investimentos do Estado", o mesmo jornal depreende que "metade dos portugueses quer reduzir os impostos sobre as empresas". Quando a maioria imputa responsabilidades pelo estado da economia actualmente no País aos Governos (33% para o actual PSD-PP e 28% para o anterior PS) numa pergunta do mesmo questionário, é até extraordinária uma percentagem tão acentuada de pessoas a ter esperança no investimento do Estado.
Como é óbvio, o Público interpreta o resultado como "Metade defende a prioridade da redução de impostos sobre as empresas, de modo a aumentar a competitividade das unidades nacionais e a tornar Portugal num país mais atractivo para o investimento estrangeiro. A outra metade, por seu turno, defende um aumento do investimento público, ou seja, a repetição da receita Keynesiana de animar o ambiente económico a partir da dinamização imprimida pelo Estado". Estou a imaginar os "sondados" a discorrer sobre Keynes e o proteccionismo estatal sobre as exportações/importações...

sábado, fevereiro 7

é este o seio que alimenta a américa?



desculpem, mas não resisti... a hipocrisia deste país é demais para mim...

sexta-feira, fevereiro 6

"Mas com certeza que as pessoas não querem guerra. Porque quereria um pobre coitado de uma quinta arriscar a vida numa guerra quando o máximo proveito que daí obteria seria voltar para a sua quinta inteiro? As pessoas comuns não querem guerra: nem na Rússia, nem na Inglaterra, nem sequer na Alemanha. Não há dúvidas quanto a isso. Mas, no fim de contas, são os governantes do país que determinam a política a seguir e é sempre simples arrastar as pessoas nesse processo, seja uma democracia, uma ditadura fascista, um parlamento ou uma ditadura comunista. Com ou sem voz, as pessoas podem ser levadas a seguir a vontade dos governantes. É simples.
A única coisa necessária a fazer é dizer-lhes que estão a ser atacados e denunciar os pacifistas por falta de patriotismo e por exporem o país ao perigo. Funciona igualmente em qualquer país."


Hermann Goering

quinta-feira, fevereiro 5

A Janet não está nada bem. ficou muito deprimida depois de se aperceber do mal que fez as pessoas!
agente aqui na Grande America ensinamos os bons costumes a todas as crianças!
ensinamos a matar aqueles que se vestem com montes de panos soltos, sempre que os nossos armazens de armamento estão a abarrotar! ensinamos a matar os mesmos quando eles tentam vender o petroleo deles e ficar com alguma parte do lucro. ensinamos a criar argumentos ( verdadeiros ou não) para os podermos matar. possuimos o melhor dos argumentos que e o facto de mandarmos no mundo, para depois aparecerem estas pessoas que se infiltram na Grande America, que so levam porrada ate ter fama (depois passa) e fazem uma coisa gravíssima como mostrar um seio, quando se sabe que estao presentes as grandes cadeias de televisao, independentes e nao sensacionalistas (ou não) da Grande America. Não se faz! como castigo não pode matar iraquianos durante dois meses...
Na senda de Schroeder e Berlusconi, Eduardo Prado Coelho apostou no rejuvenescimento. Mas que magro que está... (vide foto no Público)
what a day
for a daydream!
o tempo antes do tempo



William Blake - The Ancient of Days (God as an Architect) 1794

quarta-feira, fevereiro 4

Em jeito de experiência, e enquanto não encontro um servidor para o enfiar, estou a alterar o visual do blog.

P.S.: Espero que os outros autóctones não se importem...
Conversávamos. A expressão "Pavloviano" apareceu. Perguntou-me se esse era o tipo do cão. "Sim", e descrevi por alto a experiência. "(...) e quando tocou o sino sem a comida, o cão..." - terminava quando fui interrompido:
"Comeu o sino?!"
o fundamento?

O primeiro que, tendo murado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas simples que o acreditaram, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos Crimes, quantas guerras, quantos assassínios, quantas misérias e horrores, não teria evitado ao género humano aquele que, arrancando as pedras ou tapando o fosso, gritasse para os seus semelhantes: «Tende cuidado, não escuteis esse impostor; estais perdidos se esqueceis que os frutos são de todos e a terra não é de ninguém.» Mas tudo leva a crer que nessa altura as coisas já tinham chegado a um ponto em que não podiam continuar como estavam.

Jean-Jaques Rousseau - Discurso Sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens
Para vocês, bonecos: A falar para o boneco.
Aqui só aprendem...
Bem haja...

terça-feira, fevereiro 3

feridas

para quê ferir o mundo?
- e para quê tratar-lhe das feridas?

José António Franco

segunda-feira, fevereiro 2

LAMENTO

Lamento que dentro de anos este seja um país de meros técnicos.

Lamento a propósito de ter descoberto
ainda agora
que a cadeira de Filosofia do Direito deixou
com a nova reforma curricular
de possuir cariz obrigatório na Faculdade de Direito da Universidade Católica (pelo menos no pólo do Porto).
Pode ser
a curto prazo
o alívio de muitos alunos, que não serão «obrigados» a «decorar» «teorias obsoletas», a estudar metodologia, a aprender formas de pensar diferentes e a formar uma consciência crítica e uma opinião.
Enfim, tudo coisas que seriam «uma seca».
A cadeira de Filosofia do Direito existe, no curso de Direito, como um contra-peso (ainda que pequeno) de grande parte do plano curricular - ao contrário do que lhes foi dito e ensinado durante quase todo o curso, eles não sabem tudo, a lei não tem resposta para tudo, as coisas não são o que aparentam e a arrogância só lhes fica mal.
Este novo plano curricular espelha o actual «estado das coisas»: não é preciso quem questione, não é preciso quem investigue, não é preciso quem apresente novas ideias; apenas é preciso quem faça o que sempre foi feito e não faça perguntas, porque só tem certezas. E quem quiser investigar... que vá para fora.
Já me tinham dito
mas nunca acreditei
que a pior coisa que se pode ter é uma opinião.
Há pouco, suspendeu a marcha perto de mim um Nissan Micra 1.2 a gasolina, de 89 ou 90, platinado.
Dentro, carregava quatro tipos completamente nus que perguntaram:"Ché Velha? Where is Ché Velha?", redobrando-se em thank you's após a resposta. Coimbra: um anormal em cada esquina...

domingo, fevereiro 1

Uma discussão política!! O meu reino por uma discussão política!
Primeira, e última, nota pessoal
Mais uma noite sem dormir... bêbedo e deprimido, ou vice versa. Até os duros terão de dobrar não é o que se diz?