terça-feira, agosto 31

QUESTÃO DO ABORTO: Manifestação amanhã @ Lx!!!

Circula no "mundo dos 3W's" um documento de repúdio pela forma como o governo português está a impedir a acção de uma Organização Não Governamental holandesa (a Women on Waves) de actuar no nosso país na área dos direitos sexuais e reprodutivos.
Tal documento [que abaixo se transcreve na íntegra, em itálico] destina-se a ser subscrito por tod@s @s cidadãos/ãs que consideram indigna e antidemocrática tal decisão do governo português. Este documento deverá recolher o máximo de apoios que deverão ser expressos através de resposta por email no mais breve espaço de tempo possível; para tal bastará a indicação do nome e da profissão da pessoa que quiser apoiar [para o email já atrás referido].
O documento será entregue, juntamente com a relação dos apoios recolhidos ao primeiro-ministro, amanhã, dia 1 de Setembro, às 18 horas, na residência oficial do Primeiro Ministro em São Bento. Seria muito importante que esta entrega do documento pudesse ter a expressão da presença de tod@s @s que o apoiam, sinal de que a cidadania é um valor que queremos ver respeitado. Agradece-se o apoio através da subscrição do texto, assim como a sua difusão entre pessoas conhecidas e, se possível, presença amanhã junto à residência oficial do Primeiro Ministro. Relembra-se que a indicação dos apoios deverá ser canalizada para este email.

Abaixo-assinado

Os cidadãos e as cidadãs abaixo-assinados, vêm por este meio apresentar a sua total discordância e perplexidade perante a decisão do governo de proibir a entrada em Portugal do barco da Women on Waves, que pretendia atracar no porto da Figueira da Foz, no âmbito de um projecto visando a defesa da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, do direito à escolha responsável e da defesa da descriminalização do aborto.

Os argumentos apresentados pelo governo são incompreensíveis quer à luz da lei nacional, comunitária e internacional, quer à luz das normas democráticas e cívicas que implicam a participação dos cidadãos e das cidadãs, das suas organizações autónomas, a livre expressão de opiniões e o debate construtivo, neste caso em torno de problemas muito reais.

Quer a Women on Waves, quer as organizações portuguesas, reafirmaram por diversas vezes que a lei portuguesa nunca seria infringida e não existem motivos para não acreditar em tal; aliás, o Governo Português dispunha e dispõe de todos os meios e instrumentos para verificar se tal correspondia à realidade.

Este barco já desenvolveu o mesmo tipo de acção em dois países da União Europeia e nenhum proibiu a sua entrada, pese embora a situação de criminalização do aborto existir também nestes países (Irlanda e Polónia).

Portugal é o único país da União Europeia que leva mulheres a tribunal por terem realizado um aborto; passará agora a ser também o único país que impede a livre actuação de organizações cívicas.

Refutamos completamente os argumentos apresentados pelo Governo, de que esta iniciativa poria em causa a saúde pública e reafirmamos o seu carácter hipócrita. Saúde pública em causa é a situação que existe hoje, são as teias do aborto clandestino.

Reafirmamos a nossa vontade de prosseguir todas as iniciativas que levem à alteração de uma lei injusta, penalizadora das mulheres e atentatória da dignidade das pessoas.

Apelamos a tod@s @s cidadãos e cidadãs, independentemente das suas convicções pessoais sobre a realização do aborto, mas que querem viver num país onde as mulheres não sejam penalizadas, onde o respeito pelas escolhas de cada mulher e cada família sejam respeitadas, onde a dignidade seja um valor concreto e a educação sexual, o planeamento familiar e o acesso à contracepção sejam garantidos conforme a lei estipula, para que manifestem o seu repúdio por esta decisão do governo e o seu apoio à alteração da actual lei sobre a interrupção voluntária da gravidez. Apelam ainda aos órgãos de soberania para que se pronunciem sobre esta decisão.

29 de Agosto de 2004.
Não faz mal, nestes para estes casos ainda é legal abortar

Portugal Pode Ter Violado Direito Comunitário ao Proibir Entrada do "Barco do Aborto" - Público 31/08/2004

sábado, agosto 28

Nada do outro mundo

Alice no País dos Matraquilhos

Mãe fora (em que avenida?)
olhos que a perseguem, pagam, comem
pai dentro, lambendo a ferida
com que o desemprego marca um homem
e o irmão na caserna
puxando às armas brilhos
e Alice no café
habitante do país dos matraquilhos

Na classe dos repetentes
hoje vai haver mais uma falta
Alice cerra os dentes
vendo a bola que no ar ressalta
quer lá saber do exame
quer lá saber da escola
aguenta no arame
matraquilho nunca cai ao ir à bola
Alice no país dos matraquilhos é mais
do que no bairro em que vive
tem-te-não-cais

Há também Leonor
libertada da prisão há meses
dizem que é por amor
que olha tanto por Alice, às vezes
pousa-lhe a mão na cara
protege-a de sarilhos
Alice nem repara
Viajou para o país dos matraquilhos

E o irmão na caserna
cambaleia entre a cerveja e a passa
tem a sargento à perna
o tal que compara a guerra à caça
faz tempo que descobre
que é um matraquilho mais
soldadinho de cobre
matraquilho no país dos generais

Alice no país dos matraquilhos é mais
do que no bairro em que vive
tem-te-não-cais

Quando se cai na lama
ninguém pára p’ra nos levantar
Alice! o pai reclama
a tu mãe não veio p’ra jantar
e os insultos, noite fora
desfia-os em chorrilhos
Alice nunca chora
adormece no país dos matraquilhos

E a mãe no “bar do amor�
passa as horas na conversa mole
espera o seu protector
e que o seu corpo a ela enfim se cole
não é que não recorde
os que deixou em casa
mais eis que chega o Ford
e dentro vem o seu pavão de anel na asa

Alice no país dos matraquilhos é mais
do que no bairro em que vive
tem-te-não-cais

Entra então no café
um rapaz de capacete em punho
fica-se ali de pé
escreve num papel um gatafunho
e a Alice lê, surpresa
frases que são rastilhos
“Como vai Sua Alteza
a rainha do país dos matraquilhos?�

“E tu, ainda és rei?
Será que voltaste em meu auxilio?�
“A bem dizer, já não sei
há tantos anos que ando no exilio…�
“Vamos a um desafio?�
“Atira tu primeiro�
“A vida está por um fio
para quem é deste bairro prisioneiro�

O café que ali houve
é uma loja com ares de modernice
e nunca ninguém mais soube
(a não ser a Leonor) da Alice
“Aqui vai, Leonor
a foto dos meus dois filhos
se reparares melhor
têm pinta assim,
sei lá,
de matraquilhos�

Alice no país dos matraquilhos é mais
do que no bairro em que
vive tem-te-não-cais

sexta-feira, agosto 20

desde os confins da Europa vos saúdo!!! [até parece uma música(?) dos AC/DC]
fiquei boquiaberto hoje no JT da RTP1 quando Portas, Paulo disse algo como "a internacionalização das empresas públicas e o patriotismo comercial não chocam em nada"!! vou refugiar-me [que não devido a estas declarações de Portas, Paulo] num dos sítios mais fantásticos da ilha onde brotei para a vida. daqu por uma semana estarei de volta à urbe que se diz do conhecimento, apesar de eu próprio ainda não ter [passados 8 anos] tomado conhecimento disso... até lá!!!!!!
entretanto, FSS revela-se o maior defensor d@s estuantes e a DG/AAC revela-se a maior defensora dos cofres cheios para a administração [perdão, Reitoria] da UC.

quarta-feira, agosto 18

Afinal ele existe...

Bom, e cá está ele... Afinal não era piada nem invenção...

SOUSA, Boaventura de Têmpera / Boaventura de Sousa . - Coimbra : Centelha, 1980. - 115 p. - (Poesia/Nosso tempo; 33)
UCLEAA 869.0 SOU

Está registado como Boaventura Sousa... Terá sido propositado? Será a mesma pessoa? Sera coincidência? Hum... Estou curioso...
Prometo um post com algum poema quando tiver o precioso livro...

Tenho, contudo, uma dúvida, o que diabo estará este livro a fazer na biblioteca do Núcleo de Estudos Anglo-Americanos da FLUC?

domingo, agosto 15

Quem está livre... livre está.

É curiosa a omissão de José Pacheco Pereira das listas de estudantes da Universidade MRPP e afins, hoje biografados na Pública. Razão tinha o AP... À la fin, est-ce qu'il n'est pas une orange?

quinta-feira, agosto 12

Sobre as ciências socio-ficcionais, o rigor científico, e a paz, a santa paz...

Sobre as ciências socio-ficcionais, o rigor científico, e a paz, a santa paz...

Epá... Deixem-se de... merdas... Ò Tiago, pára lá com a cruzada em defesa da honra do senhor bonaventura... Agora sempre que alguém mandar uma piada ao homem tens de vir mandar a tua cagada? Para os outros, vocês sabem quem são: Por favor, ponham definitivamente de lado a mania de dar importância a essas ciências socio-ficionais... Já cansa... Deixem-nos lá brincar, mandar os seus bitaites... Deixem-nos lá pensar que são uma ciência exacta e que dão um grande contributo à sociedade... Deixem-nos lá dizer o que já todos sabemos, mas, atenção, com o rigor que só um estudo estatístico, tipo sondagem, permite exibir... Deixem-nos lá o que quiserem. Eu, por mim, vou continuar a rir-me com os disparates que toda a gente, e digo mesmo toda, anda prái a cagar do alto da sua douta cadeira... com pernas de bambu, que também aguenta...

E viva a hermenêutica, a santa puta que pariu todas estas pós-modernices...

...perdoai-os senhor, que não sabem história, e que se acham para além dela...

quinta-feira, agosto 5

Ó minha senhora, não seja teimosa!

"Sob as vagas de deslocalização das indústrias (...), os intelectuais anti-globalização estão em vias de agonizar. Embora, sendo quem são, não se tenham apercebido do facto. Depois de ter acusado Sampaio de, ao nomear-me [a Pedro Santana Lopes] PM, ter morto a engº Pintasilgo, eis que, a 29 do mês passado, na sua coluna da "Visão", o Prof. Sousa Santos declarava estar «Portugal no grau zero das alternativas». Se fosse a ele, estava caladinho. Caso contrário, ainda divulgo os poemas que publicou, num livrinho chamado Têmpera, editado pela Centelha, em 1980, sobre as «rachas das meninas»."

Sim... Maria Filomena Mónica, guardiã do decoro e... ficcionista.

terça-feira, agosto 3

«O Público» tem uma lata...

Desde ontem «O Público» publica umas reportagens (serão seis no total) com o tema «a vida com menos de um dólar por dia», e depois tem o descaramento de levar 80 cêntimos pelo jornal!