quinta-feira, julho 20

Liberalismo, a desconcertante utopia !

Fazendo uso de uma escola de pensamento da filosofia continental ( em oposição com a escola anglo-saxónica) que se proclama de desconstrutivismo, ora essa escola teoriza que por mais bem conseguida que uma formulação seja ela tem em si a semente da sua destruição, ou seja já possui por si própria a ambiguidade que prova a seu contrario). Este também parece ser o caso desta tão proclamada escola de pensamento liberal.

Como o companheiro AP já referiu estes seres de portentosa sabedoria defendem o casamento de homossexuais, o aborto até às 12 semanas, a livre concorrência entre aeroportos, a flexibilização dos despedimentos a par do aumento da protecção no desemprego (flexicurity?), são contra as patentes de software, parecem amigos dos LGBT e ecologistas. Ou seja defendem a desregulamentação de todos os campos, tradicionais de intervenção estatal ( sejam eles de costumes ou na regulamentação da actividade economia ) para os entregarem a esses sábios que dão pelo nome de sociedade civil. Enquanto penso nisto existe algo aqui que não bate certo. Defendem o aborto mas ao mesmo tempo são contra os serviços nacionais de saúde estatais, fica a pergunta o aborto realizado a onde? Com que condições de acesso, e em ultima análise regulamentado por quem? Pela sociedade civil? Pelas leis capitalistas do mercantilismo? Defendem a desregulamentação do trabalho mas ao mesmo tempo mais direitos para os desempregados? Que incentivo propõem ao emprego? Quem o fará? O malévolo estado, a sociedade civil? Quem motorizaria a sociedade civil? Ela própria? Deve a sociedade civil, devido ao enorme peso sobre ela colocado, ser regulamentada? Se não, como garantimos que ela funcione? Como garantimos que seja ela a gerir o binómio espaço publico espaço privado? E se ela não quiser? Com quem falo? Quem a escrutina? O estado por muito mau que seja é escrutinado, avaliado( bem ou mal ) e a sociedade civil? Se for escrutinada deixa de ser sociedade civil?

3 Comments:

Anonymous MLS said...

Se tivesse lido tudo, perceberia que aceitamos que o Estado por vezes pode ter o papel de regulador.

Onde se inclui obviamente regular os serviços de saúde.

7/21/2006 08:11:00 da manhã  
Blogger gaminha said...

Caro mls, como se pode regular os serviços de saude? Atribuindo seguros médicos aqueles que pela força do seu trabalho não o consigam garantir? Este esquema não é regularizar é intervir directamente. Regular pressupoe que o estado normalize as relações mas que não intervenha directamente sobre os agentes da "sociedade civil". Como garantir o acesso então, e apenas regulamentando, dos dos agentes da sociedade civil ( humanos ) a bens essenciais e inconportaveis para em si?

7/21/2006 01:53:00 da tarde  
Anonymous mls said...

Regular, no caso da saúde, é controlar a qualidade dos mesmos, e foi nessa óptica a resposta que dei. Devido à sua importância, a saúde tem que obviamente ser minimamente controlada em termos de qualidade (seja ela privada ou pública).

Quando aos seguros de saúde, sim, defendemos que todos têm direito a cuidados de saúde, apesar de discordarmos da forma actual como estes são prestados, pois a iniciativa privada pode perfeitamente prestar sem o controlo directo do Estado esses serviços (veja-se o caso da França, relativamente às consultas médicas).

Isso é intervenção do Estado? Sim. E? Se der uma volta por outros países irá verificar que os partidos liberais defendem obviamente a economia de mercado, o liberalismo económico e a redução do papel do Estado na economia, mas não são cegos nem propriamente defensores de uma sociedade sem o mínimo de solidariedade.

Por cá é que nasceram um liberais "clássicos" utópicos que tendem para o radicalismo. O mls nada tem (nem quer ter) a ver com esses senhores. O que eles defendem não corresponde à política de nenhum partido liberal existente na Europa.

Para simplificar muito a coisa, veja-nos como um Bloco de Esquerda com políticas económicas de direita.

Pode discordar e não gostar de nós. Mas quando vejo a Ana Drago do BE a dar entrevistas em que nos vê como uns papões radicais de direita económica e os tais liberais "clássicos", a apelidar-nos de social-democratas, parece-me que estamos no bom caminho, pois devemos estar algures no meio dessas duas classificações. ;)

7/22/2006 08:34:00 da manhã  

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