quinta-feira, julho 27

Entendamo-nos

1 - Não sou movido por nenhum espírito de missão nem por nenhum espírito bairrista do unamo-nos agora contra os outros que as nossas divergências podem ser adiadas.
2 - Não é verdade que me preocupe mais com o que os esquerdistas dizem da guerra do que com a guerra em si, o que me preocupa são as soluções apresentadas para acabar com a guerra e, em particular, as soluções apresentadas pela Esquerda uma vez que é com ela que, em termos abstractos me identifico.
3 - Não tenho traumas nem questões não resolvidas com qualquer grupo ou corrente de pensamento à Esquerda.
4 - Nunca defendi Israel e, sinceramente, é preocupante que surja este pensamento maniqueísta cada vez que alguém se lembra de criticar aqueles que estão contra Israel e os EUA. Israel não tem razão neste conflito assim como não a tem os grupos terroristas radicais islâmicos. Se quiserem, os únicos que nunca podem deixar de ter razão são os civis mesmo que tenham votado num governo de que faz parte o Hezbollah, num governo do Hamas ou num governo israelita claramente beligerante em relação aos Estados vizinhos.
5 - O facto de Israel ter um poderio militar claramente superior ao dos seus vizinhos, não lhe tira, por si, a razão nem lhe atribui especiais responsabilidades.
6 - A "defesa dos oprimidos" só surge, à Esquerda, quando esses oprimidos são inimigos dos EUA ou inimigos de amigos dos EUA como se inimigo do meu inimigo fosse necessariamente meu amigo.
7 - Quando se atribuem responsabilidades aos muçulmanos não se iliba Israel, pelo contrário, penso que será através de uma postura crítica em relação aos vários intervinientes nesta guerra que se alcança uma posição ponderada e responsável.
8 - Mantenho que a crítica sistemática a Israel é a metade que falta ao artigo de Vasco Graça Moura mas não deixa de ser apenas uma das metades e, se o artigo de VGM tem como efeito dar alguma cobertura a Israel, as posições das Esquerda têm como efeito dar cobertura ao terrorismo e a governos que convivem bem demais com o terrorismo.
9 - Mantenho que a Esquerda tem o dever de ter uma posição responsável em relação ao terrorismo, coisa que raramente teve sendo o caso mais gritante o 11 de Setembro, altura em que se tentou branquear o ataque aos EUA através das atitudes mais cretinas.

3 Comments:

Anonymous tom-joad said...

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7/27/2006 04:02:00 da tarde  
Blogger MDA said...

Fui que apaguei o primeiro comentário (tinha sido posto por mim mas esqueci-me de fazer login) mas basicamente o que dizia era: quem perceber alguma coisa desta coisa que arranje isto de forma a que os parágrafos sejam, de facto, parágrafos.

7/27/2006 04:04:00 da tarde  
Blogger koenige said...

Estás a ficar chateado :-p

Mais uma vez os teus considerandos têm mais a ver connosco (a esquerda) que com eles (israelitas e libaneses). Praticamente todos os pontos podiam ter sido ditos antes deste conflito e continuariam a fazer sentido.

Mas concentremo-nos na tua preocupação com as soluções apresentadas pela esquerda para acabar com esta guerra. Neste momento elas passarão por pôr pressão pública (manifs, etc) sobre Israel para os forçar a parar a agressão. A eles porque são eles o maior agressor neste momento, não os libaneses: a minha contabilidade de baixas pretendia esclarecer esse ponto factualmente, sem ideologias. É inócuo neste contexto apontar o dedo a quem já está a levar porrada. Noutro contexto, faça favor, toda a crítica do mundo aos islâmicos.

Parece-te má estratégia? Discutamos então porquê e quais as alternativas.

A (des)propósito: o "terrorismo" tem as costas ainda mais largas que o "Estado de Direito" enquanto instrumento de justificação de tudo o que se faz. Descobri há pouco que só os EUA, Canadá, Austrália e Israel consideram o Hezbollah uma organização terrorista (wp). A UE, p. ex., não o considera. Lê a entrada da wikipedia sobre o Hezbollah, é instrutiva. Não querendo com isto ser considerado um fã deles, mas apenas alertar para a facilidade com que se condiciona o debate atirando conceitos mediáticos simplistas ao ar.

7/27/2006 05:37:00 da tarde  

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