domingo, julho 23

Justificação e Legitimidade.

MDA levanta uma questão que me parece importante. O comunicado do Partido Comunista Português sobre o que se passa no Libano, omite por completo o papel do Hezbollah como catalizador da intervenção israelita. Opta, portanto, por um discurso que é a total reflexão da sua visão estratégica e ideológica sobre o conflito Israelo-árabe, sem a mínima preocupação de forjar uma linguagem que de algum modo se ajuste à sensibilidade do público. Este último, mesmo que falemos somente do português, que como se viu no passado recente está bem mais propenso a uma visão crítica das acções israelitas e americanas na cena internacional, do que outros países mesmo na Europa, não deixa naturalmente de estar condicionado por uma estrutura noticiosa internacional que é profundamente manipuladora e relativizadora deste e de outros conflitos. E não deixa de ser evidente que esta visão que produz - pelo menos nos media mainstream - é sistematicamente complacente para com Israel e as suas acções, minorando aos olhos da opinião pública a importância, por exemplo, do respeito pela lei internacional em detrimento de uma vitimização do estado Israelita e das suas populações. Portanto, este efeito, embora insuficiente para uma doutrinação absoluta ( nem que se pareça) dos espectadores, é eficiente numa normatização de uma certa linguagem, ou pelo menos, numa marginalização de um certo tipo de linguagem. Claro que muitos outros factores interferem nestes processos de legitimização da argumentação. Ele há os que por muito equilibrada que seja a análise, estarão sempre, talvez por sua culpa, imersos numa rede de ausência de credibilidade. Eu penso, por isto, que um discurso, quando pretende ainda para mais produzir resultados políticos, tem que atender mandatoriamente a esta realidade - que ainda por cima é a realidade dos atentados terroristas internacionais, que servem eles próprios, sem ajuda da cnn ou da skynews, como actuadores directos sobre a sensibilidade das sociedades. Tem que querer ser compreendido, por muito injusta seja esta exigência perante a justeza dos manifestos e posições. Tem que ser responsável, mesmo que isso seja ser oportunista, num contexto que está repleto de limitações.
Dificilmente será possível convencer muita gente que a acção israelita é completamente ilegal e desproporcionada, já para não falar de muito provavelmente oportunista, de objectivos obscuros, se numa postura pública, for esquecida uma necessária humanização do mesmo Israel.

É evidente que há uma frustração óbvia. É que a linguagem normatizada de algum modo humaniza mais facilmente um Israel ocidentalizado de democracia só na aparência democrática, vítima de terrorismo, do que um governo do Hamas que não reconhece Israel, mas que foi eleito democraticamente, coisa que é totalmente e criminosamente ignorado pela dita comunidade internacional ( à excepção da mãe Russia). Mas as frustrações não justificam erros.
Nem os legitimam.

5 Comments:

Blogger MDA said...

E ficámos com a rúbrica: "Perspectiva do ulizador".

7/23/2006 01:47:00 da manhã  
Blogger João Pena said...

Tu cala-te, inácio, senão eu digo a verdade sobre o teu relacionamento com o diogo.

7/23/2006 02:38:00 da manhã  
Blogger MDA said...

Também tens preconceitos? Esperava isso vindo de toda a gente menos de ti!

7/23/2006 03:11:00 da tarde  
Blogger pvnam said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

7/24/2006 11:30:00 da tarde  
Blogger MDA said...

Gosto particularmente da forma como este imbecil anuncia: "[mini-spam]".

7/25/2006 12:48:00 da manhã  

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