segunda-feira, agosto 22

O sagrado e o profano musicados por Sérgio Godinho I

O Rei e a Virgem Romeira, do Romanceiro Português de Leite de Vasconcellos, Vol. II (Coimbra 1960, p. 324)
- Oh que linda rosa branca naquele claro passeia! El-rei estava à janela, logo se namorou dela.
- Mal parece uma menina andar só por esta terra.
- Mais mal parece a el-rei baixar-se a falar com ela; mas eu não venho sozinha, meu marido atrás queda. Voltou el-rei p?ró palácio, nem comera, nem bebera.
- Que tendes, ó senhor rei, que agonizado ?stivera?
- É por aquela menina que naquele claro se queda. Alto! Alto! Meus criados, ide lá em busca dela! Nem por ouro, nem por prata não vos venhais cá sem ela. Correram doze mil léguas sem acharem a donzela; acharam-na penteando debaixo de uma oliveira. Co?o lustre do seu cabelo a oliveira amadurera, e com a luz dos seus olhos todo o mundo esclarecera!
- Deus a guarde, ò menina, Deus a guarde ò donzela. Somos criados d?el-rei, mandados a muita pressa: Nem por ouro, nem por prata nos fôssemos lá sem ela.
- Alto, criados d?el-rei, Deus vos leve à vossa terra! Dizei lá ao vosso rei que não é quem el?cuidera. S?ele é rei dos seus vassalos, eu sou do Céu e da Terra.