Mais uma Amendoeira!
Lula Pena trouxe-me novidade interpretativa na execução musical - deslocalizou o fado, minimalizou o tropicalismo - e personalizou temas oriundos de famílias estilísticas incongruentes, que nela ganham uma identidade nada esquizofrénica. Já sabemos que toda a roupagem é criativa, mas como diria o outro, a aura não simpatiza lá muito com a reprodução.
Leio hoje, nas últimas páginas do DN, o nome de Maria Teresa. Os adjectivos replicam Lula Pena, a fronha não lhe é nada estranha e o alinhamento do primeiro album (O Mar...) traz pelo menos quatro temas consagrados, neste universo saltimbanco, pela supracitada: Argonauta (Os argonautas?), Rua do Capelão, Rosinha (dos limões?) e Gaivota. Data de 2000, portanto há-de ser posterior ao Phados. A colaboração do Moustaki alavancou a intérprete e, provavelmente, tê-la-á introduzido nos esquemas da chanson française. O último album, Lusofonia, pelo que li, sai bonificado pelo retratamento (enésimo) do "Retrato em preto e branco", a que eu inicialmente acedi via Motor da Luz da Eugénia Melo e Castro e que me seduziu pelo prolongamento que sofre com a "Gota d'água" do Buarque. Tanto melhor. Mas tudo me levaria a desconfiar (por efeito saturação e prepotência blasée) do trabalho desta senhora. Até ouvir, não ajuizo. Mas a fórmula de criação que sustenta esta singular indústria não me pode deixar indiferente: «On témoigne un répertoire où se croisent la nostalgie du fado, la gaieté du vira nord-portugais, le baião, le samba et le forro brésilien.»


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