Mais non!
As resistências à constitucionalização da Europa, nos parâmetros em que essa hipótese provável se coloca, têm vindo a forjar-se sobre heranças políticas muito heterogéneas e concorrentes, como sabemos. No debate público e contraditório, exclusivamente conseguido pelo imperativo referendário, a particularidade que, a meu ver, deve ser assinalada, consiste não tanto na agregação inovadora de tacticismos oriundos das esquerdas e das direitas, mas antes no seu efeito (aparentemente colateral) de militância sistemática para o despojamento de ambiguidades. Ou seja, não fosse a dramática amplitude da convergência táctica efectivada em volta do «não» (veja-se o profissionalismo do sítio do não) e o debate fundamental sobre a Europa estaria, certamente, amputado. São os «nãos» que justificam o «não», qualificando o confronto político. Estes, abaixo, são outros vôos:
«Le plus intéressant, la seule chose passionnante dans ce référendum en trompe l'oeil, c'est ce non qui se cache derrière le non officiel, ce non d'au-delà de la raison politique, car c'est celui-là qui résiste, et il faut qu'il y ait là quelque chose de bien dangereux pour que se mobilisent ainsi toutes les énergies, tous les pouvoirs confondus pour la défense du oui. Cette conjuration panique est bien le signe qu'il y a un cadavre dans le placard.»
em L'Europe divine, por Jean Baudrillard (Libération - 17 Maio 2005), acedido via sítio do não.


0 Comments:
Publicar um comentário
<< Home