Ele saber, sabe...
O terceiro capítulo do ensaio que Pacheco Pereira (JPP) tem vindo a publicar no Público constitui a maior prova do seu cinismo. Pelos melhores motivos. É um texto que procura problematizar historicamente os territórios políticos (esquerda / direita) em que se ancoraram as principais agendas reivindicativas dos dois últimos séculos, onde que se fundou e produziu a mais engajada literatura ideológica, onde se espacializaram conflitos políticos como práticas identitárias apostadas em disputas sistémicas, no fundo, onde se tem vindo a protagonizar o exercíco do(s) poder(es). Reconhecida a porosidade que a segunda metade do século XX trouxe às fronteiras desses enunciados do discurso e da acção, JPP, em nome da recomposição reformista e criativa das heranças plurais que esses territórios legaram, retira a mais precipitada das conclusões: o seu fim. Amnésia colectiva, portanto. Essa tem sido, de resto, a solução que mais tem contribuído para a desconfiança (à esquerda e à direita, por motivos diametralmente distintos) relativamente ao desafio da reinvenção da cidadania política (gambuzina, segundo Fernando Gil). Pelo contrário, a oportunidade de que uma (embrionária) transição paradigmática é portadora convoca novas formas de apropriação da esquerda e da direita como cosmovisões politicas renovadas e destituídas do peso que os actores tradicionais exercem. Será, talvez esse, um outro "olhar para o mundo de forma criativa".


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home