segunda-feira, maio 17

Bis

"Num mundo des-encantado, onde os discursos se multiplicam, as imagens se fragmentam e o sagrado e o profano confluem, a ironia é um derradeiro modo religioso de comunicar." É-nos dito pelo Miguel Cardina, no seu espaço.

Com as devidas ressalvas, interrogo-me sobre a suficiência da ironia na reinterpretação do sistema de discursos, imagens e dicotomias modernas. Com isto não quero dizer nada, note-se. Mas a pertinência com que nos é formulada a ironia caracteriza bem a bifurcação permanente em que se joga essa própria figura. Isto porque é de estilo, tão-só. Donde resgatá-la ajuda alguma coisa. Desde que não seja para reescrever possibilidades em registo de epitáfio.