(H)À resistência modernista
Como se a História estivesse em risco, eis que os modernicistas não admitem (por muito que doa ao materialismo) que não conseguirão desvincular a História da Historiografia. Por tão juntas que têm caminhado, teimam em confundir-se! Pois se a primeira não será um discurso, porquê inventar-lhe reduções-receita: "as condições reais duma luta de classes"? (falar para o boneco) Eles sabê-lo-ão. Ou ela é invisÃvel, ou anda meio mundo cego (pois...). Eles, melhor do que ninguém, saberão do que a Ciência maiusculada gasta, qual equação Ciência - Universidade (AP), escudando-se nas comunidades produtoras do conhecimento do progresso, iluminado e iluminista (das quais são fieis aprendizes), munindo-se, à primeira ameaça, dos repertórios autojustificativos do costume. Quanto mais autonomizam a ciência do mundo, tanto menos reconhecem o seu papel regulatório na promoção de um monopólio de interpretações, ao qual se atribuà o estatuto formalizado, institucionalizado e, em última análise, religioso (pelo seu culto), que materializa a aliança saber-poder. Essa hegemonia de que falo, longe de se consolidar no seio de uma comunidade cientÃfica que só conhece porque aspira ao conhecimento, construiu-se e prolongou-se sob o modo de produção dominante na modernidade, o capitalismo, que, anexando a ciência, fez dela uma das suas faces legitimadoras. Compreendo que me responderão que não tinha de ser assim, bastando a emancipação do "sujeito histórico" (Único!) - o proletariado, para que a ciência, exactamente a mesma, fosse produzida a bem da humanidade, isto é, dos proletários de todo o mundo unidos (!). Mas é também contra estes dois esquemas polarizados, mas homólogos, de reificação do conhecimento que o projecto pós-moderno tende a propor condições de emergência de uma multiplicidade de formas de conhecer até então silenciadas, ou porque faziam perguntas demasiado complexas, ou demasiado simples. Este processo de democratização e reconhecimento da amplitude de sentidos, preocupações, agendas e modos de conhecer constitui, dessa forma, uma visão cosmopolita da diversidade de registos e linguagens, sendo o recurso ao senso-comum a requisição de um património humano, cabendo à ciência a ponderação de uma 2ª Ruptura Epistemológica: se, modernamente, a primeira residiu no afastamento das pré-noções (Max Weber - neutralidade axiológica) e na vigilância e depuração dos etnocentrismos, dos individualismos e dos naturalismos, o desafio é, agora, a reaproximação desse depósito de conhecimentos ao senso comum, isto é, enquanto linguagem não só democratizada, como fundamentalmente participada e, portanto, reiventada. Refiro-me, genericamente, à s Ciências Sociais. O apuramento dessa possibilidade e/ou capacidade nas designadas Ciências Naturais (e Exactas) será subsidiário de um diagnóstico distinto, muito embora perfilhe igualmente das mesmas exigências e do mesmo carácter desconstrutor dos seus impactos e da sua raiz societal, enquanto prática de produção, reprodução e legitimação de um paradigma civilizatório.
Como se a História estivesse em risco, eis que os modernicistas não admitem (por muito que doa ao materialismo) que não conseguirão desvincular a História da Historiografia. Por tão juntas que têm caminhado, teimam em confundir-se! Pois se a primeira não será um discurso, porquê inventar-lhe reduções-receita: "as condições reais duma luta de classes"? (falar para o boneco) Eles sabê-lo-ão. Ou ela é invisÃvel, ou anda meio mundo cego (pois...). Eles, melhor do que ninguém, saberão do que a Ciência maiusculada gasta, qual equação Ciência - Universidade (AP), escudando-se nas comunidades produtoras do conhecimento do progresso, iluminado e iluminista (das quais são fieis aprendizes), munindo-se, à primeira ameaça, dos repertórios autojustificativos do costume. Quanto mais autonomizam a ciência do mundo, tanto menos reconhecem o seu papel regulatório na promoção de um monopólio de interpretações, ao qual se atribuà o estatuto formalizado, institucionalizado e, em última análise, religioso (pelo seu culto), que materializa a aliança saber-poder. Essa hegemonia de que falo, longe de se consolidar no seio de uma comunidade cientÃfica que só conhece porque aspira ao conhecimento, construiu-se e prolongou-se sob o modo de produção dominante na modernidade, o capitalismo, que, anexando a ciência, fez dela uma das suas faces legitimadoras. Compreendo que me responderão que não tinha de ser assim, bastando a emancipação do "sujeito histórico" (Único!) - o proletariado, para que a ciência, exactamente a mesma, fosse produzida a bem da humanidade, isto é, dos proletários de todo o mundo unidos (!). Mas é também contra estes dois esquemas polarizados, mas homólogos, de reificação do conhecimento que o projecto pós-moderno tende a propor condições de emergência de uma multiplicidade de formas de conhecer até então silenciadas, ou porque faziam perguntas demasiado complexas, ou demasiado simples. Este processo de democratização e reconhecimento da amplitude de sentidos, preocupações, agendas e modos de conhecer constitui, dessa forma, uma visão cosmopolita da diversidade de registos e linguagens, sendo o recurso ao senso-comum a requisição de um património humano, cabendo à ciência a ponderação de uma 2ª Ruptura Epistemológica: se, modernamente, a primeira residiu no afastamento das pré-noções (Max Weber - neutralidade axiológica) e na vigilância e depuração dos etnocentrismos, dos individualismos e dos naturalismos, o desafio é, agora, a reaproximação desse depósito de conhecimentos ao senso comum, isto é, enquanto linguagem não só democratizada, como fundamentalmente participada e, portanto, reiventada. Refiro-me, genericamente, à s Ciências Sociais. O apuramento dessa possibilidade e/ou capacidade nas designadas Ciências Naturais (e Exactas) será subsidiário de um diagnóstico distinto, muito embora perfilhe igualmente das mesmas exigências e do mesmo carácter desconstrutor dos seus impactos e da sua raiz societal, enquanto prática de produção, reprodução e legitimação de um paradigma civilizatório.


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